Aberto em maio, o restaurante São Miguel, em Botafogo, brilha pela carta de drinques assinada pela mixologista Laura Paravato. Ela explica que casa oferece coquetéis clássicos revisitados com elegância e brasilidade. A carta tem ilustrações do pintor gaúcho Lielzo Azambuja, que cria imagens em que obras de grandes mestres foram inspiradas e pintadas no Rio de Janeiro: — O São Miguel traz uma mescla, uma conexão muito grande do clássico com o contemporâneo e trazendo uma b
Aberto em maio, o restaurante São Miguel, em Botafogo, brilha pela carta de drinques assinada pela bartender e chefe de bar Laura Paravato. Ela explica que casa oferece coquetéis clássicos revisitados com elegância e brasilidade. A carta tem ilustrações do pintor gaúcho Lielzo Azambuja, que cria imagens em que obras de grandes mestres foram inspiradas e pintadas no Rio de Janeiro:
— O São Miguel traz uma mescla, uma conexão muito grande do clássico com o contemporâneo e trazendo uma brasilidade. Dei essa brincada de começar com uma carta inicial muito focada. Uma base muito grande em clássico, mas os trazendo para uma brasilidade. Então, por exemplo, o coquetel Devaneio é uma releitura de Tom Collins, que é um clássico, à base de gim, o avô da gin tônica. Mas traz uma técnica de carbonatação moderna, com água de coco no lugar da água com gás, com o cordial de limão.
Outro drinque autoral de destaque é o Nascimento de Vênus, que leva cachaça Giuseppe Prata, o licor Saint Germain, de flor de sabugueiro, e cordial de morango feito na casa:
— É um cosmopolitan abrasileirado, com cachaça, trazendo a mesma estrutura. Um destilado, um licor e um agente frutado, que seria cranberry.
O terceiro coquetel autoral best-seller é o Abapuru:
— Ele é a nossa versão do Porn Star Martini, que ele é à base de gim, leva vermute dry, um shrub de mel, de gengibre e maracujá, e um pouquinho de laranja.
Laura explica que os drinques autorais levam nomes de pinturas icônicas:
— Cada um no seu movimento: a gente tem o Guernica, do Picasso, por exemplo. Tem a Boba, da Anita Malfatti. Todos têm um nome de uma pintura muito reconhecida e uma base de um coquetel clássico. Os drinques autorais estão indo bem demais. A gente está vendendo de 2.500 a 3.000 coquetéis por mês.
O Guernica leva uísque Jack Daniel's com especiarias, rapadura e bitter de cacau. Já o Boba tem uísque Jack Daniel's, cordial de abacaxi com cumaru, limão siciliano e albulmina.
Ela conta que, em julho, houve semana em que se venderam mais coquetéis do que cafés.
— E isso numa casa que funciona para almoço e jantar todos os dias. É muito difícil porque, no almoço, a maioria das pessoas bebe um cafezinho na sobremesa. Mas a gente está numa crescente de as pessoas beberem tanto de dia quanto de noite. E isso todos os dias, mesmo na segunda-feira.
Laura explica que o cardápio de drinques ainda está reduzido, ainda faltam mais duas opções autorais:
— Eu sou muito do rum, então serão um à base de rum e outro à base de tequila. Entra mais uma sessão, digamos assim, que são os clássicos Best Fork, que são todos os coquetéis que mais vendem em cada casa, revisitados com a minha visão. Tento de mês em mês dar um giro nos coquetéis clássicos que estão sugeridos no cardápio, para exatamente instigar e fomentar o consumo.
Indagada sobre a busca de coquetéis com menor teor alcoólico, Laura avalia que a tendência é percebida tanto nos drinques quanto nos vinhos:
— Tem essa mudança, que vejo também no consumo do vinho. Começaram a aparecer muito mais vinhos naturais, de menor intervenção. Anos atrás seria impensável. É uma mudança no padrão de consumo global, as pessoas estão indo muito mais para o low ou o no alcohol. E você consegue fazer um coquetel saboroso, com várias camadas de sabor, mas com pouco teor alcoólico. A pessoa consegue beber três, quatro. Se fossem taças de vinho, ela não conseguiria. Mesmo vinho branco ou rosé.
Laura explica que o São Miguel é a casa do grupo Best Fork que mais vende coquetéis e vinhos.
— Eu também atribuo muito isso ao inverno. Nessa estação, normalmente as pessoas vão mais para o vinho, o conhaque ou o uísque. Mas o consumo de coquetel está bom para o inverno. Aqui, vemos muito uma coisa que eu chamo que é a cultura de balcão. Que é a galera sentar, ter a experiência do balcão, pedir indicação para o bartender, pedir para criar um coquetel para ele, pedir o que gosta. Esse número está crescente a cada semana.
Laura explica que o São Miguel é a primeira casa do grupo que vem com o DNA de bar:
— É um bar fantástico. Dependendo da arrumação, podemos ter aqui de 55 a 60 pessoas. No total da casa, são 350. A Best Fork é muito conhecida pela cozinha, muito premiada, chancelada. Agora, aqui é um marco zero. Quero, nesse novo momento, buscar o mesmo reconhecimento, o mesmo peso e relevância do bar. E aí é o primeiro cardápio de drinques que vem, de fato, com uma assinatura, com a minha.
Ela explica que participou ativamente de todo o processo: montagem, desenho, negociação com os parceiros de bebida, criação do calendário de ativação.




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