Editorial critica o louvor do Estadão a Pedro Malan e Armínio Fraga e relembra crise cambial, dívida pública e privatizações no governo FHC.

O Estadão insiste, em editorial na terça-feira 25, em louvar as figuras de Pedro Malan e Armínio Fraga, respectivamente ministro da Fazenda e presidente do Banco Central nos anos em que a Presidência da República do Brasil foi exercida pelo Príncipe dos Sociólogos, Fernando Henrique Cardoso, promovido a Rei dos Neoliberais em razão de seu governo. O ex-jornalão do Limão, ora tabloide, reafirma sua devoção aos economistas fernandinos, e ironiza o fato de o atual titular da Fazenda, Dario Durigan, procurá-los para uma conversa sobre a situação fiscal. Gesto de cinismo de um governo perdulário, entende o periódico udenista.

Explicar a essa turma que existem coisas mais importantes na economia de um país do que o rigor fiscal, a despeito de certas regras que merecem ser cumpridas, é dar murros em ponta de faca. Necessário, contudo, é indagar por que editorialistas adoram tanto certos economistas, os quais deram com os burros n’água, e odeiam outros, cuja atuação resultou em melhora da vida da população. Afinal, para que serve a economia se não para melhorar a vida das pessoas?

A predominância de neoliberais na imprensa brasileira é notória, mas o time não deveria ignorar dados históricos. É preciso salientar que quando se recorre ao FMI por causa de forte fuga de capitais e crise cambial, tem-se um país quebrado. Foi assim com FHC, Malan e Armínio.

O Estadão mantém-se cego perante a História e recomenda aos seus oráculos: “Malan e Arminio poderiam ensinar a Durigan que os juros são altos porque o mercado cobra cada vez mais caro para financiar um governo que sistematicamente gasta mais do que arrecada e não demonstra compromisso com o equilíbrio fiscal”.

EDITORIAL | Cinismo petista – “Chega a ser comovente a tentativa dos petistas de revestir de racionalidade e sensatez uma candidatura, a de Lula, fundada na demagogia e na presunção de que dinheiro público brota em árvore”.

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— Estadão 🗞️ (@Estadao) August 25, 2026

Quando FHC assumiu a Presidência da República, em 1995, a dívida pública era de R$ 153,4 bilhões. Em abril de 2002, no fim do seu governo, era de R$ 684,6 bilhões – um aumento de 346%. Que equilíbrio espetacular!

Durante os governos do Rei dos Neoliberais, sob assessoria dos oráculos Malan e Armínio, a média de crescimento do PIB foi de 2%. A falta de investimento em infraestrutura acarretou um monumental apagão elétrico. Para compensar os prejuízos às empresas, o governo baixou uma Medida Provisória transferindo a conta do racionamento de energia aos consumidores.

A partir de questionável tese para evitar o colapso do sistema financeiro, FHC criou o Proer e socorreu os bancos. À época, disse que o custo da filantropia era de 1% do PIB. Posteriormente, os ex-presidentes do Banco Central Gustavo Loyola e Gustavo Franco estimaram a ajuda em 3% do PIB. Já economistas da Cepal apontaram 12,3% do PIB como o custo da benemerência, algo em torno de R$ 111 bilhões. Não se ouviu estridência do Estadão, por talvez não imaginar melhor destino a tamanha imensidão de dinheiro público.

A privatização do Sistema Telebrás foi um capítulo especial da era FHC. Grampos no BNDES flagraram conversas do seu presidente, André Lara Resende, com o então ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros. A dupla articulava apoio da Previ – o fundo de pensão do Banco do Brasil – ao consórcio liderado pelo banco Opportunity, que tinha Pérsio Arida, amigo de ambos, como sócio. Deu em nada, claro, porque privatizar é o objetivo final dos austericidas, custe o que e a quem custar.

Fernando Henrique Cardoso reelegeu-se em 1998 após segurar a paridade real-dólar. Eleição ganha, foi obrigado a desvalorizar a moeda brasileira. Houve indícios de vazamento de informações pelo Banco Central: o então deputado Aloizio Mercadante, do PT, divulgou uma lista com o nome de 24 bancos que obtiveram enormes lucros com a mudança cambial e outros quatro que registraram movimentação especulativa suspeita às vésperas do anúncio da medida.