Cientistas analisam qual animal teria mais chances de prosperar se os humanos desaparecessem. A resposta pode surpreender você. O post Se os humanos desaparecessem amanhã, este animal poderia dominar a Terra, segundo cientistas apareceu primeiro em Catraca Li…

A pergunta parece saída de um roteiro de ficção científica, mas está sendo debatida com seriedade por biólogos e zoólogos em 2026: se a humanidade sumisse do planeta, quem ocuparia o vácuo que ela deixaria? A resposta esperada seria os chimpanzés ou os golfinhos. Mas os cientistas estão apontando para um candidato que vive no fundo do mar e tem nove cérebros.

Os mamíferos marinhos inteligentes, como golfinhos e baleias, enfrentam outra barreira: a completa ausência de extremidades capazes de manipular o ambiente. Por mais sofisticada que seja a inteligência de um golfinho, sem membros funcionais não há construção de ferramentas, sem ferramentas não há tecnologia e, sem tecnologia, não há civilização no sentido que conhecemos. O mesmo obstáculo se aplica às baleias. Inteligência sem destreza manual é uma equação incompleta.

Em laboratório, os polvos abrem frascos com tampas para chegar à comida, reconhecem rostos humanos individualmente, planejam rotas de fuga de aquários e até transportam cascas de coco para usá-las como abrigo temporário. Cada um desses comportamentos demonstra uma coisa que os biólogos consideram rara no reino animal: planejamento voltado para o futuro, não apenas reação instintiva ao presente.

Se o polvo é tão extraordinário, por que não domina o mundo já? A resposta está num paradoxo biológico cruel: a maioria das espécies vive apenas um a três anos. As fêmeas morrem logo após o nascimento dos filhotes, exaustas do processo de cuidado obsessivo com os ovos. E os polvos são animais solitários, sem vida social, o que impede completamente a transmissão de conhecimento entre gerações.

A biologia extraordinária que faz o polvo ser quase alienígena

Uma segunda gênese da inteligência, separada da nossa há 650 milhões de anos

A linha evolutiva do polvo se separou da dos vertebrados há mais de 650 milhões de anos. Eles desenvolveram a inteligência por um caminho completamente diferente, o que faz o filósofo Peter Godfrey-Smith dizer que interagir com um polvo é a experiência mais parecida com um contato extraterrestre que a humanidade pode ter: não pela aparência, mas pela forma como processam o mundo.

Em 2026, pesquisas publicadas no Correio Braziliense descrevem outra capacidade única dos polvos: edição de RNA em larga escala para ajustar sua fisiologia ao ambiente quase instantaneamente, algo extremamente raro na natureza. Enquanto a maioria dos seres vivos depende de mutações genéticas lentas para se adaptar, os polvos alteram proteínas em resposta a mudanças de temperatura com velocidade impressionante. Isso sugere que, com mais tempo evolutivo, esses cefalópodes poderiam desenvolver formas de adaptação que mal conseguimos imaginar.

O humano acumulou civilização porque cada geração herda o conhecimento das anteriores. Um polvo não herda nada. Nasce já sem mãe, aprende tudo do zero, vive pouco e morre sem transmitir experiências. É exatamente esse obstáculo que os cientistas identificam como o principal limitador da espécie. Mas também é o que deixa em aberto a grande pergunta: e se a evolução desse mais tempo a esses animais?

Antes de encerrar o debate nos cefalópodes, os cientistas lembram de um candidato terrestre que merece atenção: os corvos. No Japão, eles foram observados usando o tráfego de veículos para quebrar nozes: colocam a noz na rua, esperam os carros passar, e só então descem para pegar o alimento já partido. Na Nova Caledônia, os corvos fabricam ferramentas complexas com galhos para extrair insetos de dentro de troncos.

Essa capacidade de alterar o ambiente para resolver problemas, entendendo a relação de causa e efeito, vai muito além do instinto básico. Para Coulson, as aves são um desafio sério à supremacia dos primatas em terra, e os corvos, em particular, reuniriam características que um possível herdeiro do planeta precisaria ter.

O professor Coulson deixa claro que prever a evolução com certeza é impossível. O que sua análise propõe é um exercício de perspectiva: ao imaginar um planeta sem humanos, somos forçados a questionar o que realmente nos faz diferentes das outras espécies, e também o que ameaçamos ao destruir os habitats onde essa biodiversidade extraordinária ainda existe. Aquecimento global, poluição e perda de ecossistemas não atingem apenas o polvo ou o corvo. Atingem as condições que permitem que a inteligência continue evoluindo.

A Terra tem ainda cerca de um bilhão de anos de vida habitável pela frente. Num horizonte assim, a pergunta sobre quem dominará o planeta depois de nós é menos ficção científica do que parece.

Esse tipo de curiosidade científica é exatamente o que rende boa conversa. Compartilhe com quem gosta de pensar no lugar da humanidade no grande esquema da vida na Terra.