Brasileiro inicia prova atrás de noruguês antes de tomar dele a melhor marca da história dos 400 m com barreiras

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27.ago.2026 às 19h28

Alison dos Santos chegou ao primeiro obstáculo, na noite suíça de quinta-feira (27), na segunda colocação. A partir daí, deixou o norueguês Karsten Warholm para trás na etapa de Zurique da Diamond League –liga mundial de atletismo, com 15 paradas ao longo do ano– e estabeleceu a melhor marca da história dos 400 m com barreira, 45s80.

O recorde mundial era do próprio Warholm desde 2021. Naquele ano, ele assumiu a liderança histórica em casa, registrando 46s70 em Oslo, em julho. No mês seguinte, obteve a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Tóquio com 45s94, um número que parecia destinado a ter longa duração como o melhor. Foram cinco anos.

Desta vez, o norueguês finalizou a primeira parcial com 0s04 de vantagem sobre Alison. Então, Piu, como é conhecido o paulista de São Joaquim da Barra, imprimiu um ritmo fortíssimo e foi mais rápido no trajeto até cada uma das nove barreiras seguintes e também no caminho que levou à linha de chegada do estádio Letzigrund.

O brasileiro de 26 anos passou a segunda barreira 0s09 à frente de Warholm. A diferença cresceu, barreira a barreira, para 0s20, 0s35, 0s43, 0s49, 0s54, 0s62, 0s68 e 0s69. Nos passos derradeiros, a distância aumentou, e o novo recordista mundial completou a prova 0s89 à frente do segundo colocado.

Ao longo da corrida em Zurique, ficou claro que a disputa de Alison já não era com o Warholm de 2026, mas com o Warholm olímpico de 2021. O público notou a possibilidade do recorde mundial. Diante do alarido, o paulista vislumbrou a chance de quebrar a marca e vibrou muito ao cruzar a linha com o tempo provisório de 45s81, em seguida corrigido para 45s80.

"O Piu chegou para vencer! O novo dono está na casa!", brincou, em entrevista concedida minutos após a vitória. "O público e a energia estavam perfeitos. Foi uma noite incrível para mim e para todos os que vieram ver, para todos os que viram de casa. Espero que o Brasil tenha parado para ver."

O recordista fez questão de valorizar o trabalho de seu técnico, Felipe de Siqueira.

"Não tenho outras palavras para dizer além de: eu acabei de quebrar o recorde mundial. Tenho mostrado uma ótima forma ao longo da temporada. Estou veloz, estou forte. Mudamos bastante o treinamento e a corrida para isto. Estou começando mais rapidamente, estou finalizando de maneira mais forte, era o que eu precisava fazer para quebrar o recorde", disse.

"Assim que cruzei a linha de chegada, eu fiquei procurando o meu treinador. Era eu correndo, mas foi ele quem fez tudo isto possível. Ele acreditou em mim quando eu era mais novo e me desenvolveu como atleta e como pessoa", acrescentou o brasileiro, antes de repetir: "Eu quebrei o recorde mundial".

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Alison buscava isso desde o início da década, quando desabrochou como um dos grandes nomes dos 400 m com barreira. Nos Jogos Olímpicos de Tóquio, obteve tempo abaixo daquele que era o recorde mundial, com 46s72. Mas Warholm (45s94) e o americano Rai Benjamin (46s17) foram ainda mais rápidos, e o brasileiro foi bronze.

"Corri mais rápido do que o recorde mundial, mas fiquei em terceiro. Saber que eu fui muito rápido naquele dia, mas não o suficiente, doeu bastante. Eu trabalhei durante estes anos para chegar aqui e garantir que, quando quebrasse o recorde mundial novamente, eu passaria a linha em primeiro", sorriu.

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