Cantor fez primeira apresentação após demissão do rapper Macklemore por apoio à Palestina

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Ed Sheeran enfrentou shows turbulentos após a saída de Macklemore da Loop Tour, demitido por se posicionar pró-Palestina. Com segurança reforçada e discursos emocionados, Sheeran admitiu ter considerado cancelar a turnê, mas a manteve devido ao apoio dos fãs e compromissos comerciais. Ele expressou tristeza pelo conflito, evitando tomar lados, e defendeu o palco como um espaço de união, mesmo em meio a controvérsias e perdas de amizade.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

Ed Sheeran voltou aos palcos pela primeira vez desde a polêmica envolvendo a saída do rapper Macklemore da Loop Tour. O americano, que fazia a abertura dos shows, foi demitido da turnê depois de se manifestar a favor da Palestina no palco. A decisão levou os demais artistas de abertura e até a banda de apoio a abandonar as datas em solidariedade.

Sem convidados, Sheeran se apresentou no estádio Lincoln Financial Field, na Filadélfia, no sábado, 19, com algumas mudanças no show, que incluíram um esquema de segurança reforçado, protestos do lado de fora e dois discursos sobre a crise.

O primeiro veio logo no início da apresentação, lido em um teleprompter, aparelho que projeta o texto em uma tela visível apenas para quem está no palco. “Estou acostumado a ver minha música ser criticada, e sempre aceito isso de bom grado, porque tenho a sorte de muitos de vocês gostarem do meu trabalho”, disse. “Mas, nesta semana, a crítica foi sobre algo muito mais importante. Tive que tomar decisões difíceis, estou cometendo erros e sinto muito, muito mesmo. ”

Sheeran afirmou estar devastado com as consequências do conflito na Faixa de Gaza, mas evitou tomar partido. “Este show continua sendo um lugar onde todos são bem-vindos, e todos aqui podem estar ao lado de pessoas com opiniões diferentes”, disse. “Todos podem concordar em cantar essas canções. E essas canções são sobre amor, esperança e união. ”

Horas antes do show, a organização e o Departamento de Polícia da Filadélfia montaram um esquema especial de segurança, com policiais posicionados nos arredores do estádio para conter possíveis manifestações. Segundo a revista Variety, cerca de cem pessoas se reuniram antes da apresentação em um protesto a favor da Palestina. Não houve confronto, e o ato terminou antes de o show começar.

O medo de protestos também mudou a estrutura da turnê. Sheeran retirou o palco secundário, onde costuma tocar parte das músicas mais perto do público. “Eu não sabia se jogariam coisas em mim. Eu não sabia se as pessoas ficariam com raiva de mim”, admitiu à plateia.

Perto do fim, o cantor sentou na beirada do palco para um discurso mais longo, dessa vez sem ler textos. “A última semana foi uma das piores da minha vida, e hoje foi um dos dias mais estranhos. Mas, honestamente, o show de hoje foi o melhor da minha vida”, declarou Sheeran, que admitiu ter considerado cancelar a Loop Tour.

“Eu realmente não sabia se essa turnê continuaria, se eu subiria ao palco de novo, se eu sequer queria ser artista. Mas nessas situações, a gente descobre quem são os verdadeiros amigos. E foi uma semana estranha. Sinto que tudo aconteceu muito rápido. E o tempo todo, tanta gente me dizendo para cancelar a turnê, e tanta gente que eu conhecia há anos e anos se afastando da minha vida. ”

Segundo ele, a parte comercial pesou na decisão de manter as datas. “Vi a venda de ingressos para este show e não vi cancelamentos, vi pessoas comprando ingressos. Todos me dizem para cancelar, e sinto que todos os meus amigos, familiares e conhecidos estão me abandonando. E no final da semana, vejo 50 mil pessoas que não me abandonaram”, declarou. “Eu amo a sensação que este show traz. Eu amo unir pessoas de todas as raças, religiões e ideologias políticas. ”

Em 4 de setembro, o rapper abriu o show de Sheeran em Nova Jersey e decidiu declarar apoio a uma Palestina livre durante sua apresentação. Ele disse que queria que palestinos em Gaza e na Cisjordânia ocupada soubessem que não haviam sido esquecidos. Em seguida, interpretou Hind’s Hall, música lançada em meio aos protestos pró-Palestina que ocorreram na Universidade Columbia, em Nova York, enquanto imagens da destruição em Gaza eram exibidas nos telões.

O músico ainda completou: “Aos meus irmãos e irmãs da comunidade judaica: saibam que críticas a Israel, ao Apartheid e ao genocídio não são críticas a vocês de forma alguma. Minha mensagem é pela paz, que o amor esteja ao alcance de todos os humanos e que eles sejam tratados com dignidade, respeito e igualdade. Eu digo: Palestina livre; Líbano livre; Cuba livre; Congo livre; Sudão livre. Digo: libertem todas as pessoas dos Estados Unidos que vivem com medo dessa organização terrorista chamada ICE. Nenhum de nós será livre até que todos nós sejamos livres”.

Na segunda-feira, 14, Macklemore voltou a se manifestar após ser cortado da turnê. Segundo o rapper, a decisão partiu dos donos dos estádios por onde a turnê passaria, mas isso não isenta Sheeran: “Tomar um lado pode custar caro: dinheiro, parcerias de marca, patrocínios, festivais, shows particulares, relacionamentos e acesso. Eu perdi tudo isso”, disse nas redes sociais.

A Messina Touring Group, promotora da etapa americana da turnê, confirmou a pressão dos contratantes: “Fomos notificados pelos locais que sediarão as próximas datas da turnê de que não permitirão shows com a participação de Macklemore no line-up — o que resultaria no cancelamento da turnê e afetaria centenas de milhares de fãs. ”

Após Macklemore ser demitido, Sheeran tentou se defender, afirmando que a decisão partiu exclusivamente dos contratantes. “Eu tenho minhas opiniões pessoais sobre esse conflito devastador. O fato de eu escolher não falar publicamente não significa que eu não as tenha, nem que eu não me importe”, disse o cantor em comunicado.

Os outros artistas escalados para shows da turnê, incluindo Aaron Rowe, Lukas Graham, a banda Beoga e Finneas (irmão de Billie Eilish, que viria ao Brasil com Sheeran em dezembro), se manifestaram em apoio a Macklemore.