Longe dos estádios, municípios mobilizam torcedores e comunidades inteiras para receber as delegações do Mundial

Recepções nos aeroportos, filas para acompanhar treinos, crianças vestindo camisas de times estrangeiros e moradores transformando a rotina para receber as seleções da Copa do Mundo. Longe dos grandes centros que sediam as partidas do Mundial, as cidades-base assumem um papel estratégico no torneio.

Entre as bases das equipes, 48 Centros de Treinamento estão localizados nos Estados Unidos, sete no México e dois no Canadá. As presenças de jogadores, comissões técnicas e profissionais da imprensa nessas regiões resultam em um impulso socioeconômico significativo. Além disso, permite que os habitantes vivenciem a Copa, mesmo distantes dos estádios.

A recepção calorosa das seleções da Argélia e da Bósnia repercutiu nas redes sociais e nos noticiários locais dos Estados Unidos. Longe das cidades onde os jogos oficiais acontecem, os moradores locais demonstram entusiasmo com os novos turistas, apesar do futebol não ser o esporte mais popular do país.

A Argélia, que está hospedada em Lawrence, no Kansas, foi recebida com festa do aeroporto da cidade até o hotel. Além disso, os treinos abertos na Universidade do Kansas, local onde a seleção africana realiza a preparação para os jogos da Copa, registraram longas filas e lotação máxima.

Já a seleção da Bósnia e Herzegovina foi recepcionada por dezenas de torcedores no Aeroporto Internacional St. Louis Lambert, na cidade de Saint Louis, Missouri, nos Estados Unidos, no período dos jogos amistosos.

A chegada do time animou os habitantes, que tiveram a chance de ver uma seleção de perto. “Estou extremamente animado. Esta é uma oportunidade única na vida, e talvez eu nunca mais veja esses jogadores. É realmente impressionante”, disse Harun, um jovem torcedor, ao jornal Spectrum News.

A região, também conhecida como Gateway City, possui um vínculo histórico com a comunidade bósnia. A relação sucedeu após a Guerra da Bósnia, nos anos 1990, quando refugiados escolheram a cidade norte-americana para recomeçar suas vidas, atraídos pelas oportunidades de trabalho e pelo custo mais acessível de moradia. Atualmente, segundo estimativas da Biblioteca da Universidade de St. Louis, mais de 60 mil bósnios vivem na região, formando a maior comunidade bósnia fora da Europa.

No período oficial da Copa do Mundo, a seleção bósnia está hospedada na cidade de Sandy e treina no CT do Estádio RSL, onde também recebe apoiadores.