Força-tarefa contra o sarampo, novas rotas de distribuição e apoio aos municípios estão entre as ações premiadas
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A recuperação das coberturas vacinais no Brasil tem exigido muito mais do que a garantia de oferta de imunizantes. Melhorar os índices depende de vencer distâncias geográficas, reorganizar serviços, enfrentar a desinformação, aproximar a vacina das pessoas e criar novas formas de cooperação dentro do SUS.
No ano passado, o Brasil retornou à lista dos 20 países com maior número de crianças não vacinadas no mundo, segundo levantamento divulgado pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e pela OMS (Organização Mundial da Saúde), e há uma corrida em curso para reverter esse quadro.
Nas últimas terça (16) e quarta-feira (17), 109 experiências exitosas foram apresentadas em uma mostra promovida pelo Conass (Conselho Nacional de Secretarias de Saúde), na sede da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) em Brasília. As estratégias revelam que não existe uma única solução para um país marcado por realidades tão distintas.
No Tocantins, a iniciativa premiada foi uma força-tarefa que conteve um surto de sarampo iniciado em uma comunidade ortodoxa russa de Campos Lindos, município com cerca de 8.600 habitantes onde havia pessoas não vacinadas. A resposta contou com a parceria entre estado, município e Ministério da Saúde, com ações de educação, bloqueio, busca ativa e vacinação.
Segundo Gisele Carvalho Luz, diretora de vigilância das doenças transmissíveis e não transmissíveis da Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins, a atuação começou antes mesmo da confirmação dos primeiros casos, registrados em julho do ano passado. "Quando se trata de sarampo, cada hora ganha é revertida em proteção da população", afirma.
Ao todo, quase 3.000 pessoas foram vacinadas, com apenas 14 recusas. O estado notificou 99 casos suspeitos e confirmou 25, todos concentrados em Campos Lindos. Após 12 semanas sem novos registros, o surto foi encerrado.
Na Amazônia, onde o principal obstáculo é fazer a vacina atravessar rios e longas distâncias, a solução veio da cooperação entre diferentes entes federativos. O "Grande Wayuri da Imunização" criou uma estratégia logística para garantir o abastecimento regular dos municípios do sul e sudeste do Amazonas.
Wayuri, palavra de origem nheengatu, representa uma ação coletiva diante de um problema comum.
"Quando temos um problema que afeta a coletividade, buscamos fazer uma ação conjunta. É um trabalho feito por várias mãos para poder dar certo", explica Cléia Soares Martins, enfermeira da Secretaria de Estado da Saúde do Amazonas.
A iniciativa reorganizou a distribuição de vacinas com participação do Ministério da Saúde, dos governos de Amazonas, Acre e Rondônia e de municípios. Em vez de concentrar todo o fluxo em Manaus, como ocorria até então, passaram a usar pontos de apoio mais próximos, como Rio Branco e Porto Velho.
Antes, cidades como Envira e Guajará chegavam a retirar imunizantes na capital apenas quatro vezes por ano. A dependência do transporte aéreo dificultava o planejamento e elevava os custos. Com a mudança, alguns municípios passaram a ter até 12 retiradas anuais, com menor dependência de aviões. "Nenhum município ficou mais perto de Manaus. Nós que aproximamos o SUS do município", resume Cléia.
No Maranhão, a recuperação das coberturas passou pelo microplanejamento, estratégia do Ministério da Saúdeque adapta as ações de vacinação à realidade de cada território. Com 217 municípios e grandes desigualdades regionais, o estado implantou uma




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