O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta terça-feira (23) que o programa de mísseis do país é indispensável para sua defesa e não será objeto de negociação em conversas diplomáticas. Segundo ele, sem essa capacidade militar, o território iraniano teria sido "arrasado sem piedade" por Israel e pelos Estados Unidos da mesma forma que a Faixa de Gaza. Leia mais (06/23/2026 - 23h37)
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23.jun.2026 às 23h37
Islamabad (Paquistão) | AFP
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta terça-feira (23) que o programa de mísseis do país é indispensável para sua defesa e não será objeto de negociação em conversas diplomáticas. Segundo ele, sem essa capacidade militar, o território iraniano teria sido "arrasado sem piedade" por Israel e pelos Estados Unidos da mesma forma que a Faixa de Gaza.
"Se não tivéssemos os mísseis que temos para nossa defesa, Israel e os EUA teriam arrasado o Irã como fizeram com Gaza, sem piedade nem de idosos nem de jovens", disse ele durante visita ao Paquistão, um dos principais mediadores das negociações entre Teerã e Washington para encerrar o conflito. "Nunca negociaremos com ninguém, sob nenhuma circunstância, as nossas capacidades defensivas."
As declarações reforçam o posicionamento da República Islâmica de considerar seu arsenal de mísseis um elemento central de sua estratégia de segurança nacional. Essa posição recebeu apoio do primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif. Ele confirmou que o acordo preliminar firmado entre EUA, Irã e os países mediadores não inclui referências ao programa de mísseis balísticos iraniano.
Sharif também criticou o que chamou de aplicação desigual de regras internacionais, argumentando que não deveria haver padrões diferentes para o acesso de países a esse tipo de armamento.
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A questão dos mísseis balísticos permanece um dos temas mais sensíveis das relações entre Irã, EUA e Israel. Durante a guerra iniciada após ataques conjuntos americanos e israelenses contra o território iraniano, Teerã lançou centenas de mísseis e milhares de drones contra Israel e países vizinhos do Golfo.
O programa de mísseis do Irã começou a ser desenvolvido durante a guerra contra o Iraque, na década de 1980, como forma de compensar limitações em suas defesas aéreas. Desde então, o país ampliou o alcance e a precisão de seu arsenal.
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Para Israel, localizado a cerca de 1.500 km do território iraniano, esses armamentos representam uma ameaça direta à sua segurança. Antes da guerra, os EUA defendiam que tanto o programa de mísseis balísticos quanto o apoio iraniano a grupos armados aliados fossem incluídos nas negociações sobre o programa nuclear de Teerã.
Nos últimos dias, porém, o presidente Donald Trump tem sinalizado uma postura mais flexível. Durante a cúpula do G7 realizada na França, ele afirmou que considera injusto impedir que o Irã possua mísseis enquanto outros países mantêm arsenais semelhantes.
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