Para democratizar o cinema, Sérgio Marques leva a todo o país cinema ao ar livre, e sobretudo filmes de qualidade às crianças com o seu cinema insuflável. “As crianças são exigentes com as histórias”
Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Há estudos e pensadores que dizem que o cinema, quando é de qualidade, toca a toda gente. E às vezes toca de uma maneira que as pessoas nem sequer sabem no momento, mas ficam com ele.
O meu convidado construiu a sua vida à volta de três paixões: o cinema ao ar livre, o cinema para crianças e a descentralização cultural. O que move Sérgio Marques, coordenador, produtor e programador cultural, é por isso criar oportunidades para levar filmes às pessoas, filmes de qualidade, sobretudo às crianças e àqueles públicos longe dos grandes centros e com grandes salas de cinema. E toda a sua vida fez isso. Criou o Cinema fora do sítio, no Porto, o Fitas na Rua, em Lisboa, o projeto Videolucem, que levou cinema às igrejas algarvias, entre outros. É o criador e mentor do projeto Cinema Insuflável, uma sala de cinema itinerante para a infância, uma ideia original, que agora se copia lá fora, e que recentemente ganhou o prémio Acesso Cultura nas vertentes de acesso social, físico e intelectual. Em oito anos, o Cinema Insuflável já realizou mais de 2500 sessões, alcançando mais de 80 mil crianças em escolas, praças, jardins, hospitais, bairros e festivais, tanto em Portugal como lá fora. Uma grande conquista para um homem que vê a sétima arte como espaço de descoberta, reflexão e empatia. Olá, Sérgio, e bem-hajas por teres aceitado este meu convite. Bem-vindo à Rádio Observador.
Olá, obrigado eu pelo convite.
É um grande prazer estar aqui a falar contigo. Sérgio, eu estive à tua procura já há alguns meses e de facto, é o homem que leva o cinema às aldeias e eu acho isso extraordinário. Isto é muito importante. Tu lembras-te das tuas primeiras memórias de cinema? Imagino que seja o Walt Disney com o teu pai. É possível?
Mais ou menos. Eu sou do Porto. E a minha primeira grande memória de cinema muito marcante, eu tenho uma memória de ir ver o Walt Disney com o meu pai, muito pequenino, mas tenho uma memória muito impactante para mim, que foi a primeira vez que eu fui ao cinema sozinho, com 11 anos. Autorizaram-me a ir ao cinema, numa sala de cinema perto de casa, que existia lá perto de onde eu morava, que era Campanhã. E eu tive a oportunidade de ir pela primeira vez ao cinema sozinho e ter aquela experiência do impacto que teve um filme, que não era nenhum filme de especial, era o "Flashdance".
Que era um filme que-
Musical, música, dança e tal.
Muita gente se calhar começou a sua carreira no cinema a ver o Truffaut e o Godard. Eu comecei com o "Flashdance", mas foi muito importante.
Sim, mas foi muito importante para mim aquela experiência de perceber que o cinema pode me trazer coisas que eu não estava à espera.
Exatamente, é incrível tu dizeres isso. É importante ter esta disponibilidade de cabeça, não é?
O que eu vou ver no cinema? O que eu vou descobrir? Tu dizes, às vezes impacta-nos em sítios que a gente não fazia a mínima ideia.
E descobrimos coisas que não sabíamos que precisávamos. É muito bonito isso. Por certo isso que é super importante e todas as crianças que vão ver os filmes que tu lhes apresentas têm impactos diferentes, veem coisas diferentes.
Sim, e eu acho que, tal como qualquer produto artístico, a experiência do espectador é sempre um mistério. Acho que não há uma receita e um resultado.
Há sempre um mistério e então com as crianças é um mistério ainda maior, porque a gente nunca sabe o que elas vão gostar, a gente nunca sabe o que é que fica na memória quando depois falamos com elas. É muito engraçado isso e é muito surpreendente, e é muito interessante a gente não ter uma receita. Nós nunca sabemos o resultado.
É sempre a incógnita, não é?
Mas depois tu tens feedback, tu falas com elas, normalmente falas.
Ou delas e dos pais. Muitas vezes eles estão com os pais ou com os professores. De uma maneira geral, o que nós tentamos mostrar no Cinema Insuflável, nós temos parcerias com festivais de todo o mundo, com distribuidoras de todo o mundo, o que a gente quer mostrar é o mais possível coisas diferentes, diversidade, maneiras de fazer filmes diferentes, histórias diferentes. E às vezes nós levamos o melhor filme visualmente mais bonito e os miúdos gostam de um filme feito numa escola em Itália.
Em telemóvel, com o telemóvel.
Para lembrar que as crianças nos presentes de Natal, que às vezes é uma grande apresentação de um grande caixote, adoram depois é o caixote, que serve de nave espacial e que serve de carro.




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