Adriana e Clarice Falcão e Dida e Bella Camero falam sobre intimidade, inseguranças e diferenças geracionais no videocast do Porta dos Fundos
Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Quatro mulheres de gerações diferentes se reúnem para entender seu lugar no mundo. Elas colocam suas diferenças à mesa e, sob o lema de que uma é pior que a outra, transformam suas inquietações em assunto. A leveza ao tratar de angústias tem atraído espectadores de todo o Brasil para o Ela é Pior que Eu, videocast do Porta dos Fundos que reúne as duplas de mãe e filha Adriana e Clarice Falcão e Bella e Dida Camero.
Assistir a um episódio do programa é como assistir a Friends, Sex and the City ou a qualquer série capaz de despertar a sensação de se reconhecer em outro personagem. Há quem se veja mais no jeito livre, sem medo de ser quem é, de Dida; nas aflições e espertezas de Bella; nas dúvidas e sagacidades que apenas Adriana conseguiria traduzir em palavras; ou no jeito carismático e curioso de Clarice.
“Nosso objetivo como artistas também é se colocar em um lugar que as pessoas olhem e falem ‘tenho uma parte minha que é assim’ ou então ‘não sou nem um pouco assim’”, comenta Clarice. Essa reflexão pode surgir de lugares bem diferentes, como quando, no primeiro episódio, Adriana confessou que já teve vergonha de ter cabeça. Os pensamentos inusitados vêm de todas.
“Quando era mais nova, tinha medo de ter morrido sem perceber, e contei isso. Minha mãe me chamou de doida, mas um monte de gente comentou que sentiu isso”, diz Bella. “Quanto mais específica é uma situação, mais relacional ela é também. Existem coisas do pensamento coletivo, mas, se é muito particular, você fala: ‘Essa maluquice não é só minha’.” Dida brinca: “Quase nenhuma experiência é individual, e a loucura é coletiva”.
O podcast nasceu do desejo de João Vicente, um dos sócios do Porta dos Fundos, de ter um programa com Adriana. “Ele sempre achou minha mãe a pessoa mais legal do mundo, como qualquer pessoa sã, e queria um projeto que fosse eu e a mamãe.” Clarice conversou com Adriana, e as duas se perguntaram se dariam conta de sustentar um programa. “E aí veio direto a ideia da Bella e Dida. Elas têm muita química, uma relação muito específica.”
Quem assiste ao videocast encontra duas mães e duas filhas dispostas a falar abertamente sobre sexualidade, vergonha e medos, inclusive na frente umas das outras. “Sempre tive muita autonomia para formar meus pensamentos, minha personalidade, e pude experimentar as coisas sem que isso fosse um problema em casa. E aí pensava: ‘Se acharem ruim, quem importa não acha ruim, que é minha mãe’”, diz Bella.
Encontrar uma amiga na própria mãe ou filha não é obra do acaso. “Todo relacionamento é confuso, mas essas dinâmicas são criadas juntas. A gente nunca teve tabu de nenhum tipo de conversa, de pergunta. É: essa sou eu, essa é ela e somos assim”, afirma Dida.
Esse nível de intimidade também nasce da curiosidade, na visão de Clarice. “Além de me sentir confortável, de poder falar as coisas, a intimidade se cria também na curiosidade, na vontade de estar perto. Desde sempre queria muito saber a opinião da minha mãe. E, quando fui crescendo, percebi que minha mãe também foi tendo muita curiosidade e admiração.”
Discutir sobre esses assuntos pode parecer, à primeira vista, algo natural. Mas as quatro são artistas acostumadas a interpretar textos escritos por outras pessoas ou a expressar o que pensam por meio de músicas e escritos. No podcast, elas se colocam diante do público de outra maneira. “Mas não adianta ter vergonha de quem se é. Até tenho, mas vou continuar com ela, porque afinal sou assim”, comenta Adriana.
A renomada escritora Adriana Falcão consegue transformar sentimentos em palavras com naturalidade. Ao longo da carreira, participou de sucessos como A Grande Família e assinou roteiros de grandes produções nacionais, incluindo O Auto da Compadecida. É autora de mais de dez livros, entre eles Luna Clara & Apolo Onze.
Seu currículo consolidado ganhou um novo sentido com o projeto, com a aproximação do espectador. “Não tinha um público, eu tinha leitores, tinha pessoas que assistiam a seriados ou filmes que eu tinha escrito, mas que sequer sabiam quem eu era ou que tinham sido escritos por alguém. E eu também não me expunha, estava sempre resguardada pela ficção.”
As conversas do programa, porém, não são completamente diferentes daquelas que elas já tinham fora das câmeras. Nos jantares entre a família, mantinham conversas longas que também se pareciam com as do podcast. “Elas iam para lugares malucos e aí virava quase uma competição de quem falava a coisa mais doida, quem fazia a melhor piada”, conta Clarice.
Um dos grandes diferenciais do projeto é reunir mulheres de gerações diferentes, que enxergam as questões a partir das experiências que já tiveram. Para Dida, a convivência com pessoas mais jovens também é uma forma de entender as transformações que acontecem.
“Uma vez me falaram ‘não é do meu tempo’ e falei: ‘mas seu tempo é agora, você está vivo agora’. Se você está vivo, então viva”, diz ela. “Conversar com os jovens te faz acompanhar o mundo. Vejo muitas pessoas da minha idade que não se atualizam, e acho que esse contato tão presente com pessoas mais novas me dá a oportunidade de conhecer outras coisas.”
Adriana também diz aprender com a convivência entre as gerações. “Elas trazem coisas que eu não sabia por ignorância, que eu não sabia porque não tinha pensado dessa maneira, porque não tinha tido a liberdade de ver assim. E aí eu penso: ‘Olha que coisa boa, ganhei isso’.”
E o programa mostra como as idades não limitam uma visão de mundo. Clarice pode concordar com Dida, ou Bella com Adriana, e assim por diante. “Acho que o interessante também dessa mistura de gerações é ver que um ato de geração quer dizer um pouco, mas também não quer dizer.”
Muito antes de trabalharem juntas no podcast, as quatro já tinham construído suas próprias trajetórias no meio artístico. Clarice ficou conhecida por seus vídeos no Porta dos Fundos, depois de ganhar destaque na internet com o curta-metragem Laços, de 2007. Na música, consolidou a carreira com Monomania, em 2013, e foi indicada ao Grammy Latino na categoria Artista Revelação.
Dida participou de projetos de destaque na televisão, como Verdades Secretas, Sangue Bom e Joia Rara, além de acumular trabalhos como atriz e diretora no teatro. Bella ganhou destaque nacional ao atuar em Malhação, em 2012, e também se destacou no cinema com Marighella. Ainda participou de séries como Lov3 Sessão de Terapia.
Apesar das diferenças entre as quatro, há algo que as aproxima: o humor. “A gente faz o que faz porque o humor é grande na nossa vida”, diz Clarice. “Sempre o humor foi importante para mim. Numa conversa, sempre estou tentando pensar no que é engraçado daquilo que aquela pessoa está me contando e no que é engraçado de perguntar. Estou sempre buscando a graça das coisas.”




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