Retatrutida reduziu até 25% do peso em estudo com diabetes tipo 2 e melhorou o controle da glicose. Veja resultados e efeitos.

A retatrutida, da Eli Lilly, mesma fabricante do Mounjaro, fez pacientes com obesidade e diabetes tipo 2 perderem até um quarto do peso corporal em um estudo clínico de 80 semanas. Os resultados foram apresentados no encontro anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes, em Milão. O estudo de fase 3 foi publicado na revista científica The Lancet.

O ensaio TRIUMPH-2 reuniu mais de 2.000 participantes em 92 centros de pesquisa de oito países. Todos tinham índice de massa corporal acima de 27 e diagnóstico de diabetes tipo 2.

Entre os 1.152 pacientes que receberam retatrutida ou placebo, a perda média de peso chegou a 18,8% com a dose de 12 mg. Nas doses de 4 mg e 9 mg, as reduções médias foram de 11,9% e 16,8%, respectivamente.

Na dose mais alta, 47% dos participantes perderam ao menos 20% do peso inicial e 31% perderam 25% ou mais. No grupo que recebeu placebo, os percentuais foram de 6% e 3%.

O medicamento também melhorou o controle da glicose no sangue dos participantes. Ao fim do estudo, 72% dos pacientes tratados alcançaram hemoglobina glicada de até 6,5%, ante 29% no grupo placebo.

Retatrutida imita três hormônios ligados ao apetite, à glicose e ao metabolismo, diferentemente de remédios que agem sobre um ou dois hormônios, como a semaglutida e a tirzepatida. Diarreia e náusea foram os efeitos adversos mais relatados, e os investigadores concluíram que sete mortes não tiveram relação com o tratamento.

Outro estudo apresentado no encontro avaliou a petrelintida, injeção semanal que imita o hormônio amilina, produzido pelo pâncreas. Em 485 participantes nos EUA, Polônia e Romênia, a perda média de gordura corporal variou de 8,7% a 10,2%, conforme a dose.

Pesquisadores avaliam que a petrelintida pode ser uma alternativa para pessoas que não toleram medicamentos à base do peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1 (GLP-1). Náusea foi o efeito adverso mais comum, e a maioria dos pacientes conseguiu chegar às doses mais altas.

Em julho, a farmacêutica havia dito que planejava submeter o pedido de aprovação da retatrutida à agência reguladora americana (FDA) no primeiro trimestre de 2027. No Brasil, o pedido à Anvisa deve levar ainda mais tempo.

Enquanto o famoso Ozempic (semaglutida) imita apenas um hormônio (o GLP-1) para promover saciedade, e o Mounjaro (tirzepatida) imita dois (GLP-1 e GIP), a retatrutida é pioneira por ser um "triplo agonista". Ela simula a ação de três hormônios simultaneamente: GLP-1, GIP e o glucagon.

Essa combinação não apenas reduz drasticamente o apetite e melhora o controle do açúcar no sangue, mas o acréscimo da ação do glucagon aumenta o gasto energético do corpo. Na prática, o remédio ajuda o paciente a comer menos ao mesmo tempo em que o metabolismo queima mais calorias, resultando em uma eficácia de perda de peso inédita nos testes clínicos.

Apesar dos resultados animadores da ciência, a Anvisa emitiu um alerta recente: a retatrutida ainda é um medicamento experimental e não está aprovada para uso em nenhum lugar do mundo.

Como o processo de aprovação sequer foi iniciado pelas agências de saúde globais e locais, qualquer oferta do medicamento na internet é ilegal e criminosa. Produtos anunciados como retatrutida já foram alvo de apreensões nas fronteiras brasileiras, muitas vezes tratados como contrabando ou produtos falsificados produzidos em laboratórios clandestinos.

A Anvisa ressalta que consumir um medicamento não regulamentado expõe o paciente a riscos graves, já que não há garantias sobre a procedência da substância, esterilidade da caneta de aplicação ou controle de doses seguras.

Se aprovada, a retatrutida chegará a um mercado extremamente aquecido e competitivo. Hoje, a Novo Nordisk (fabricante do Wegovy e Ozempic) e a própria Eli Lilly (fabricante do Mounjaro) dominam o setor de medicamentos antiobesidade.

A introdução de um "triplo agonista" com resultados que ultrapassam a marca dos 20% de perda de peso promete elevar o sarrafo da categoria. Até que o caminho regulatório seja concluído, no entanto, médicos especialistas reforçam que pacientes que buscam tratamento devem recorrer exclusivamente às medicações já aprovadas no Brasil e com o devido acompanhamento profissional.

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