O "histórico" acordo petrolífero firmado entre Washington e Caracas, que permitirá aos Estados Unidos operar campos de petróleo, gera dúvidas e desconfiança entre a população diante do sigilo estatal, mas também esperança de uma tão aguardada recuperação econômica. O presidente Donald Trump informou que os Estados Unidos terão o controle majoritário de 65 bilhões de barris das reservas de petróleo da Venezuela, o que descreveu como "o maior acordo petrolífer

30/08/2026 08h11 Atualizado 31/08/2026

O histórico acordo petrolífero entre Washington e Caracas permitirá aos Estados Unidos operar campos na Venezuela. O pacto divide opiniões entre desconfiança e esperança.

A presidente interina Delcy Rodríguez afirmou neste sábado (29) que as reservas do subsolo se transformarão em felicidade social e econômica para a população.

A produção de petróleo subiu 29,8% de janeiro a julho. Contudo, especialistas estimam que a recuperação total dos picos de produção ocorrerá apenas no longo prazo.

Donald Trump anuncia acordo para controlar petróleo da Venezuela

O acordo petrolífero firmado entre Estados Unidos e Venezuela, chamado de "histórico" por Washington e permitirá ao país operar campos de petróleo venezuelanos, gera dúvidas e desconfiança entre a população diante do sigilo estatal, mas também esperança de uma tão aguardada recuperação econômica.

O presidente Donald Trump informou que os Estados Unidos terão o controle majoritário de 65 bilhões de barris das reservas de petróleo da Venezuela, o que descreveu como "o maior acordo petrolífero da história".

A Venezuela detalhou que o acordo envolve 17 "campos estratégicos" e um investimento privado de 100 bilhões de dólares (R$ 520 bilhões), destinados a revitalizar a deteriorada indústria do país com as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo.

Presidente interina da Venezuela afirma manter 'soberania'

A presidente interina, Delcy Rodríguez, afirmou neste sábado (29) que o acordo permitirá que as "reservas imensas" que jazem no subsolo da Venezuela "deixem de ser uma cifra inerte, fria e se transformem em felicidade social e econômica" para a população.

A negociação desperta preocupações entre os simpatizantes do chavismo, ao ser concretizada em meio à forte pressão exercida pelos Estados Unidos sobre o governo interino de Rodríguez, que assumiu o poder em janeiro após a captura de Nicolás Maduro em uma operação americana.

Bombas de extração abandonadas e danificadas ao longo do tempo em um campo da estatal de petróleo PDVSA no Lago de Maracaibo, em Cabimas, na Venezuela. — Foto: Reuters

"Não sabemos a quem isso vai favorecer, se à Venezuela ou a eles (Estados Unidos)", disse à AFP Jesús Salazar, um trabalhador de segurança privada de 68 anos. "Tenho minhas dúvidas, mas é preciso esperar para ver o que vai acontecer", confessa.

Apesar da desconfiança de alguns militantes, o governista Partido Socialista Unido da Venezuela reafirmou neste sábado (29) seu apoio à decisão.

"Acompanhamos os mecanismos de recuperação produtiva que priorizam os interesses nacionais e permitam superar o impacto de mais de uma década de sanções econômicas, medidas coercitivas unilaterais e bloqueios injustos", diz um comunicado publicado pelo PSUV.

Pressionada por Washington, Rodríguez promoveu nos últimos meses reformas nos setores de petróleo e mineração que abrem essas indústrias, antes controladas pelo Estado, ao capital privado, especialmente estrangeiro.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos aliviaram as sanções petrolíferas que haviam imposto durante o governo de Maduro.

A produção de petróleo reagiu com um aumento de 29,8% de janeiro a julho, quando a Venezuela atingiu 1,2 milhão de barris por dia, ainda muito distante dos 3 milhões que extraía no final do século passado.

O acordo busca recuperar esses picos de produção, mas analistas concordam que isso só acontecerá no longo prazo. "O aumento da produção não será visto pelo menos (em) três, quatro anos", estima o engenheiro Oswaldo Felizzola.

Esse especialista em petróleo vê com bons olhos que os Estados Unidos atuem como um "garantidor" dos investimentos na Venezuela, que não conseguiu atrair grandes capitais há mais de uma década.