A taiwanesa Unimicron, uma das maiores fabricantes mundiais de placas de circuito impresso (PCB), caiu hoje 10% na bolsa de Taipé, após buscas da Procuradoria...
As ações da tecnológica caíram na abertura até ao limite máximo de desvalorização diária (-10%), para 999 dólares taiwaneses (27,21 euros), deixando a capitalização bolsista da empresa em 1,59 biliões de dólares taiwaneses (cerca de 43.317 milhões de euros).
A queda ocorreu depois de a Procuradoria do distrito de Taoyuan, no norte de Taiwan, ter realizado buscas, na sexta-feira, às instalações da empresa, no âmbito de uma investigação sobre o alegado envio para Taiwan de produtos fabricados na China para serem novamente etiquetados como sendo de origem local.
Os procuradores consideram que esta conduta poderá constituir crimes de falsificação de documentos e de indicação falsa da origem dos produtos, ao abrigo do Código Penal de Taiwan.
Segundo a agência de notícias taiwanesa CNA, as autoridades realizaram buscas à sede da Unimicron, no distrito de Guishan, e a uma fábrica no distrito de Zhongli, ambas em Taoyuan, e convocaram 14 dirigentes e funcionários para interrogatório.
Cinco dos visados, incluindo o diretor-geral da divisão de PCB, foram libertados após o pagamento de cauções entre 300.000 e 15 milhões de dólares taiwaneses (entre cerca de 8.170 e 408.594 euros), enquanto os restantes foram libertados sem caução.
Num comunicado enviado na sexta-feira à Bolsa de Taipé, a Unimicron manifestou disponibilidade para colaborar "plenamente" com os investigadores "a fim de esclarecer o caso" e indicou que as operações "decorrem normalmente", sem que se antecipe um "impacto significativo" nas finanças ou nos negócios da empresa.
A Unimicron está também entre os principais fabricantes mundiais de substratos ABF de última geração, utilizados no encapsulamento avançado de semicondutores destinados à computação de alto desempenho, inteligência artificial e 'smartphones'.
A investigação foi conhecida duas semanas depois de os Estados Unidos terem acusado a China de provocar perdas de milhares de milhões de dólares e de centenas de milhares de postos de trabalho através do transbordo de mercadorias por mais de 40 países, com o objetivo de contornar as tarifas impostas por Washington.
Segundo um relatório da Casa Branca, os Estados Unidos perdem "dezenas de milhares de milhões de dólares e centenas de milhares de empregos" devido a esta prática, que consiste em ocultar a verdadeira origem dos bens exportados, enviando-os através de países terceiros com condições comerciais mais favoráveis, incluindo tarifas norte-americanas mais baixas.
Washington estima que o valor anual das mercadorias transbordadas se situe entre 40.000 milhões e 303.000 milhões de dólares (entre cerca de 34.500 milhões e 261.000 milhões de euros).
Num "cenário central", correspondente a 75.000 milhões de dólares (cerca de 64.700 milhões de euros) em mercadorias, os Estados Unidos estimam perder entre 19.000 milhões e 26.000 milhões de dólares (entre 16.400 milhões e 22.400 milhões de euros) em receitas federais e cerca de 450.000 postos de trabalho.
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