Máquinas, equipamentos elétricos, calçados, vestuário e bens de capital estão entre os segmentos mais expostos às tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos
Entre os setores mais afetados estão etanol, calçados, vestuário, açúcar orgânico, papel, máquinas agrícolas, equipamentos de mineração, ferramentas de jardinagem, maquinário elétrico, bens de capital, produtos químicos e outros manufaturados.
Para Rafael Rondinelli, economista da MAG Investimentos, o efeito será sentido principalmente por empresas altamente dependentes do mercado americano. “Os setores mais vulneráveis são máquinas de construção e mineração, bens de capital e equipamentos elétricos. Carregadeiras, tratores de esteira e motoniveladoras exportaram cerca de US$ 1,26 bilhão para os Estados Unidos em 2025. Já os transformadores de grande porte somaram aproximadamente US$ 480 milhões, sendo que 84% das exportações brasileiras desse produto tiveram como destino o mercado americano”, afirma.
Segundo o economista, produtos de madeira e sebo bovino também apresentam elevada exposição ao mercado americano. Já calçados, vestuário, papel, máquinas agrícolas, ferramentas de jardinagem e outros manufaturados ficaram de fora da lista de isenções e devem enfrentar maior dificuldade para manter competitividade nos Estados Unidos.
Apesar disso, Rondinelli avalia que o impacto agregado para a economia brasileira tende a ser mais limitado do que o inicialmente esperado, justamente porque o governo americano ampliou significativamente as exceções. “Em termos agregados, a ampliação das exceções torna o choque mais administrável para o Brasil e limita pressões inflacionárias nos Estados Unidos. O efeito, entretanto, pode ser intenso para empresas e polos industriais muito dependentes do mercado americano, sobretudo quando os produtos exigem certificações, contratos de longo prazo e não podem ser rapidamente direcionados a outros mercados”, explica.
Na avaliação de Marcelo Bassani, economista e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, o mercado deve concentrar atenção justamente nas empresas ligadas aos segmentos que permaneceram sujeitos às tarifas. “Os setores que podem ser mais afetados são justamente aqueles ligados aos produtos que serão taxados, como etanol, máquinas agrícolas, vestuário, calçados e outros manufaturados em geral. São segmentos que passam a enfrentar uma tarifa de 25% e, por não terem sido incluídos na lista de isenção, tendem a apresentar maior sensibilidade aos efeitos da medida”, afirma.
Especialistas destacam, porém, que setores como café, carne bovina, petróleo e aeronaves, responsáveis por uma parcela significativa das exportações brasileiras para os Estados Unidos, permaneceram isentos da nova tarifa. A decisão reduz o impacto macroeconômico sobre a balança comercial brasileira, mas concentra os efeitos sobre empresas industriais com maior dependência do mercado americano e menor capacidade de redirecionar rapidamente suas vendas para outros destinos.



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