Chiara Corbo (Politécnico de Milão) revelou que o investimento global em inovação digital para o setor agroalimentar cresceu 21% em 2025, atingindo os 11,5 mil milhões de dólares, e que quatro em cada cinco explorações agrícolas que já adotaram tecnologia 4.0 planeiam continuar a investir, tendo a inteligência artificial como tecnologia de referência e o setor olivícola entre aqueles com maior potencial de transformação

A inteligência artificial, os drones e a automatização industrial estão já a mudar a gestão do olival e dos lagares, foi hoje destacado no arranque das sessões técnicas do Olive Oil World Congress (OOWC), em Madrid.

Miguel Córdoba, da xFarm Technologies, abriu os trabalhos com a apresentação “Smart farming no setor do azeite: IA, drones e dados”, onde demonstrou que plataformas digitais permitem monitorizar parcelas em tempo real, otimizar rega e fertilização, detetar pragas como a mosca-da-azeitona e planear trabalhos agrícolas com precisão. O responsável frisou que estas ferramentas “já não são exclusivas das grandes explorações” e são cada vez mais acessíveis a produtores de média dimensão, constituindo um investimento estratégico para reduzir custos e aumentar a qualidade.

Investimento digital no agroalimentar cresce 21% em 2025

Chiara Corbo, diretora do Smart AgriFood Observatory do Politécnico de Milão, revelou que o investimento mundial em inovação digital para o setor agroalimentar cresceu 21% em 2025, atingindo 11,5 mil milhões de dólares. O número de startups ativas subiu 6% após o abrandamento de 2024.

“Estamos perante uma fase de maturidade: os investidores já não financiam promessas, financiam soluções escaláveis com impacto real na cadeia de valor”, afirmou.

Segundo os dados apresentados, quatro em cada cinco explorações agrícolas que já adotaram soluções 4.0 planeiam continuar a investir. A IA é a tecnologia mais difundida, com aplicações na previsão meteorológica, otimização da rega, controlo de qualidade e rastreabilidade. No olival, já há exemplos concretos: drones para deteção de pragas e aplicação de fitossanitários em zonas de difícil acesso, fertilização de taxa variável com cartografia espacial e ferramentas digitais de rastreabilidade.

Corbo alertou, porém, que a fraca conectividade rural, a falta de interoperabilidade entre plataformas e barreiras culturais ainda dificultam a adoção, defendendo políticas públicas de apoio. A União Europeia, na sua “Visão para a Agricultura e a Alimentação”, coloca a digitalização no centro da transição, reforçando fundos do Horizon Europe para IA.

Lagar do futuro assenta em três pilares

Na mesa-redonda “O lagar do futuro: automatização, eficiência energética e circularidade”, Dolores Pérez, da Universidade de Córdoba, Antonio López, da GEA Group, e Julián Ferrer, da De Prado, defenderam que a competitividade industrial do setor passará pela automatização, eficiência energética e economia circular.

Os especialistas concordaram que o lagar do século XXI deverá integrar sistemas automatizados que reduzam a dependência de mão de obra, otimizem tempos de extração e garantam qualidade homogénea, complementados por rastreabilidade digital para os mercados premium.

Na energia, apontaram margem de melhoria através da recuperação de calor, integração de renováveis e monitorização inteligente dos consumos. Quanto à economia circular, sublinharam o potencial ainda subaproveitado do bagaço, águas ruças e caroço de azeitona como novas fontes de valor e resposta a exigências de sustentabilidade.

As sessões integram a primeira jornada do OOWC, que prossegue com temas como melhoramento genético, resiliência climática, qualidade do azeite virgem extra e apresentação de pósteres científicos. O dia encerra com prova de azeites e entrega de prémios.

O congresso conta com apoio do Conselho Oleícola Internacional (COI), CIHEAM Zaragoza, Fundação Dieta Mediterrânica e entidades públicas como o Ministério da Agricultura e Assuntos Marítimos de Portugal, a Junta de Castilla-La Mancha, a Generalitat da Catalunha, a Junta da Andaluzia e o IMIDRA. No setor privado, apoiam a edição, entre outros, AgroBank, BPI do Grupo CaixaBank, Interprofissional do Azeite Espanhol, GEA Group, Kubota e Siliker.

O OOWC reúne em Lisboa operadores de todo o mundo para debater inovação em todos os elos da cadeia de valor do azeite.

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