Ibram vê avanço para investimentos, enquanto Fiemg alerta para riscos regulatórios e defende maior participação da indústria
Belo Horizonte – A aprovação pelo Senado, nesta quarta-feira (2/9), do projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos foi recebida como um avanço pelo setor de mineração, mas também trouxe alertas sobre a necessidade de garantir segurança jurídica e previsibilidade para novos investimentos.
Em Minas Gerais, estado que concentra importantes projetos e reservas de minerais estratégicos, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) chamou a atenção para pontos da nova política que, na avaliação da entidade, podem afetar a competitividade do setor.
O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) considerou positiva a aprovação. Para o diretor-presidente da entidade, Pablo Cesário, o texto representa o resultado de um amplo entendimento construído entre governo, oposição e setor produtivo e estabelece uma base para ampliar o processamento mineral, a inovação e a participação brasileira nas cadeias internacionais.
“Ele representa o melhor consenso político possível”, afirmou Cesário.
Segundo ele, a nova política mantém o Brasil aberto ao investimento produtivo ao mesmo tempo em que acompanha medidas adotadas por países como Estados Unidos, Canadá, Austrália e integrantes da União Europeia.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Para o presidente do Ibram, um dos principais avanços está na criação de mecanismos para estimular o chamado adensamento das cadeias minerais, com incentivos à pesquisa, ao processamento e à transformação dos recursos dentro do país.
“Há várias políticas de adensamento de cadeia, o que é, para a mineração, uma enorme novidade”, disse.
O projeto de lei também prevê instrumentos de financiamento e incentivos para projetos considerados estratégicos. Entre eles estão o Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM), com aporte previsto de R$ 2 bilhões da União, e a destinação de R$ 5 bilhões para iniciativas de beneficiamento e transformação de minerais críticos e estratégicos.
“O fundo garantidor que está sendo criado muda o nível do jogo, especialmente para os projetos pré-operacionais que têm muita dificuldade de captar recursos no Brasil.”
Na avaliação de Cesário, o fundo poderá ser especialmente importante para projetos em fase pré-operacional, que enfrentam dificuldades para obter financiamento devido ao risco e à dificuldade de utilização das reservas minerais como garantia.
Além dos mecanismos previstos no projeto, o setor cita outras iniciativas recentes, como uma linha de financiamento do BNDES voltada ao adensamento de cadeias minerais e um edital da Finep de R$ 2 bilhões para pesquisa e desenvolvimento.
Apesar da avaliação positiva, o Ibram afirma que a aprovação é apenas uma etapa. A entidade pretende apresentar sugestões ao governo durante a regulamentação da nova política, principalmente para garantir previsibilidade e segurança jurídica.
A preocupação está relacionada ao longo prazo necessário para a maturação dos empreendimentos minerais. Segundo Cesário, depois da descoberta de uma reserva, um projeto pode levar, em média, 17,2 anos para avançar até sua implantação.
“Nada acontece com menos de 10 anos na mineração”, afirmou.
Em Minas Gerais, a Fiemg também avaliou que a nova política pode abrir espaço para ampliar a competitividade brasileira e agregar valor aos recursos minerais. A entidade, porém, defende ajustes durante a regulamentação para evitar que novas exigências acabem desestimulando investimentos.
Um dos principais pontos de preocupação é o Conselho Nacional de Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (Cimce). Para a Federação, as atribuições previstas para o colegiado são amplas e podem gerar elevado grau de subjetividade na tomada de decisões.
A Fiemg defende ainda a participação da Confederação Nacional da Indústria (CNI) no conselho, de modo a garantir a presença do setor produtivo nas discussões sobre políticas que terão impacto direto sobre a cadeia industrial.
Outro alerta envolve a exigência de destinação da produção ao mercado interno para que determinados projetos tenham acesso ao Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos. Na avaliação da entidade, a regra pode gerar insegurança para empresas que também dependem da inserção no mercado internacional.
A Federação também questiona a criação de um bônus de assinatura para a União no momento da obtenção do título minerário. Para a Fiemg, a cobrança representa um custo adicional para uma atividade que já está submetida a tributos, compensações, exigências ambientais e outros encargos.
A entidade defende que a política seja capaz de ampliar a produção e, ao mesmo tempo, preservar a competitividade internacional dos empreendimentos brasileiros.


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