SUV compacto ganha visual atualizado, sistema leve de 48V e isenção de rodízio em SP, mas ainda deve piloto adaptativo e auto hold pelo preço cobrado

O Jeep Renegade sempre teve uma qualidade rara entre SUVs compactos: ele envelhece bem. A Jeep conseguiu renovar o SUV ao longo dos anos com mudanças pontuais, mas sem apagar sua identidade. Nesta nova linha, isso continua muito claro. Ele mudou, mas segue mais Renegade do que nunca.

A atualização era necessária, não por queda nas vendas, mas para manter o modelo competitivo em um segmento cada vez mais disputado. Hoje, o Renegade enfrenta rivais mais modernos, mais espaçosos, mais tecnológicos e, em alguns casos, com eletrificação mais convincente.

Aliás, vale reforçar que o Renegade continua bem em números, embora já não tenha o domínio que teve no passado. No primeiro semestre de 2026, foram 21.055 unidades emplacadas no Brasil, contra 20.666 no mesmo período de 2025, segundo a Fenabrave. A alta foi pequena, de 1,9%, mas mostra que o SUV segue relevante.

Mesmo assim, ele precisava mudar. E mudou. Evoluiu no design, ganhou uma cabine mais atual e passou a usar um sistema híbrido leve de 48V. O problema é que, no uso real, fica a sensação de que o Renegade poderia ser híbrido. De verdade.

O visual mudou, mas não virou outro carro. A dianteira agora traz uma nova grade de sete aberturas, mais fechada, quase com aparência de carro elétrico. O para-choque também foi redesenhado e os faróis ganharam uma nova assinatura de luz diurna, com recortes mais modernos.

Mesmo com as alterações, basta bater o olho para reconhecer o Renegade. Ele mantém as proporções clássicas, com 4,27 m de comprimento, 1,80 m de largura, 1,70 m de altura e 2,57 m de entre-eixos.

A proposta fora de estrada também segue presente nos números. O ângulo de entrada é de 25,6º, o ângulo central é de 22º, o ângulo de saída chega a 31,8º e a altura livre do solo é de 20,8 cm. São números bons para um SUV compacto urbano e ajudam a manter aquela sensação de robustez que sempre fez parte do pacote.

Na traseira, as mudanças são mais discretas. O para-choque acompanha a nova linguagem da dianteira, mas lanternas, tampa e abertura do porta-malas seguem praticamente iguais.

O espaço de carga também permanece o mesmo Renegade de sempre. A abertura é boa e o formato é conhecido por quem já teve contato com o modelo. Mas existe um downgrade que me incomodou.

A antiga tampa rígida no assoalho do porta-malas, mais robusta e com ajuste de altura, saiu de cena. No lugar, o carro usa uma peça mais fina, ainda resistente, mas com laterais mais flexíveis e aparência menos sofisticada. É um detalhe, mas em um carro que custa R$ 175.990, ou R$ 178 mil com essa pintura branca, detalhe também pesa.

Por dentro, o Renegade Sahara 2026 tem uma cabine visualmente mais atual. Gostei do novo tecido aplicado nas portas e do acabamento com detalhes em laranja acetinado nas saídas de ar. Ficou bonito e deu personalidade ao interior.

A central multimídia agora segue o padrão usado em Compass e Commander, com tela maior, boa organização dos menus e atalhos para funções do ar-condicionado. O sistema tem navegação nativa, Android Auto e Apple CarPlay sem fio, além de câmera de ré com linhas dinâmicas.

Mas a qualidade da imagem da câmera poderia ser melhor. Ela é lavada, clara demais e não passa a mesma sensação de precisão que a tela do sistema sugere.

Também senti falta de um material melhor na parte superior das portas. O Renegade já foi um dos poucos modelos da categoria com acabamento emborrachado nessa região. Agora, temos plástico duro. O tecido novo ajuda no visual, mas não substitui completamente a sensação de qualidade que existia antes.

A lista de equipamentos é interessante. O Renegade Sahara tem ar-condicionado digital de duas zonas, carregador de celular por indução com resfriamento, freio de estacionamento eletrônico, farol alto automático, limpador de para-brisa automático, alerta de ponto cego, frenagem autônoma de emergência, alerta de saída de faixa, reconhecimento de placas, sensores dianteiros e traseiros e alerta de fadiga.

O teto panorâmico virou item de série na versão Sahara, e isso ajuda bastante a valorizar o pacote. É um item que combina bem com o carro e dá uma sensação de cabine mais ampla.

Mas há duas ausências que pesam. A primeira é o auto hold. Se o carro já tem freio de estacionamento eletrônico, o sistema de retenção automática em paradas deveria estar presente. Faz falta no uso urbano, principalmente no trânsito.

A segunda é o piloto automático adaptativo. O Renegade tem assistências de segurança, mas o controle de cruzeiro ainda é simples. Pelo preço e pela proposta da versão, eu esperava um sistema capaz de acompanhar o fluxo, frear e acelerar sozinho.

No banco traseiro, o Renegade continua oferecendo o mesmo espaço de sempre. Atrás da minha posição de dirigir, sobra algo em torno de dois dedos para as pernas. Não é amplo, mas também não chega a incomodar.

A posição de banco é boa, o espaço para a cabeça é suficiente e há saída de ar-condicionado para quem vai atrás. Também existem entradas USB em dois padrões, o que ajuda no uso familiar.