Auditor do Banco Central lança livro sobre verdades inconvenientes da bebida

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10.set.2026 às 23h00

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Isabelle Moreira Lima

Ensaios de Economia do Vinho

Preço R$ 79,90 Autoria Mauro Salvo Editora Diálogo Freiriano (178 págs.)

Economista, auditor do Banco Central, sommelier formado pela ABS-RS e bebedor de vinho há 40 anos, Mauro Salvo diz que se sente um idiota quando pede a bebida fora de casa.

Isso porque percebe que algumas garrafas são vendidas a quase o dobro do preço do varejo. "Tomar vinho fora de casa está se tornando uma experiência frustrante e até desagradável", afirma.

Salvo acaba de lançar "Ensaios de Economia do Vinho" (Diálogo Freiriano, 178 págs.). No livro, discute temas como o alto preço dos rótulos no Brasil, o problema de reputação dos brasileiros e a falta de informação sobre a bebida. Leia a entrevista abaixo.

Quando você escreve que o problema do vinho nacional era reputação, você diz que o vinho era ruim? Quando os produtores brasileiros migraram sua produção do vinho de mesa para o vinho fino, sem nenhuma reputação nesse tipo de produção, escolheram a cabernet sauvignon. Daí, surgiu um problema: plantaram essa uva com técnicas e num terroir que não eram os ideais.

A cabernet é uma uva de maturação tardia e, no Rio Grande do Sul, a época da colheita é úmida, o que gerava vinhos muito herbáceos, ou "aguados", sem nenhuma característica peculiar do terroir. O consumidor não teve preconceito; foi criada uma reputação real, por isso uso esse termo. E leva-se anos para reverter isso.

O vinho nacional, hoje, passou a ser bem visto entre os brasileiros, ou a reputação antiga persiste? Hoje está bem melhor: os vinhos estão sendo premiados, há mais seriedade na produção e a tecnologia ajudou muito.

Eu uso as premiações como base, principalmente a da Decanter, da Inglaterra, reconhecida como a mais séria. Os vinhos brasileiros são os que mais crescem lá, disparado. Isso pode significar uma melhoria de qualidade, mas também pode ser que os brasileiros estejam simplesmente se inscrevendo mais. Não é um dado científico, é uma percepção minha.

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Um comentário comum é de que o vinho nacional melhorou, mas é muito caro.   É uma das verdades inconvenientes que os produtores não gostam de comentar. No Sul, a umidade aumenta os gastos com questões fúngicas e correção de solo. A colheita feita no morro tem que ser manual.

Além disso, é preciso ter mão de obra especializada para cuidar do vinhedo, identificar problemas na parreira, aplicar defensivos e corretivos. Tudo isso encarece a produção.

E tem a questão dos impostos, que realmente pesam. Mesmo o alimento, que é o menos taxado no Brasil, tem uma tributação alta, algo em torno de 25% para a cesta básica, enquanto em outros países fica entre 7% e 10%.

No país, o vinho recebe a tributação de bebida alcoólica, que é ainda maior. Mas sou crítico sobre jogar toda a culpa nos impostos. Se colocássemos zero de imposto, o vinho ficaria mais barato na mesma proporção? Tenho sérias dúvidas.

E, se falarmos de importados também, por que vinho no Brasil é tão caro? Além da tributação elevada, há a questão logística e, no caso dos brasileiros, tem o chamado "efeito preço-guarda-chuva": como chega vinho estrangeiro por R$ 300, um produtor nacional que poderia vender o seu por R$ 150 pensa, "já que o consumidor paga R$ 300 naquele, eu posso vender o meu a R$ 250". Assim, o vinho se tornou um bem de luxo.