Hoje voltamos a um tema que me diz muito, a perturbação Obsessivo-compulsiva, para conhecer uma história, mas sobretudo para entender como podemos usar as ?...
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Quando falo, descubro mais sobre mí e quando escuto, compreendo mais os outros. Mas quer abra a boca ou preste atenção, tenho cada vez mais a certeza que somos todos malucos. Olá a todos, sejam bem-vindos a mais um episódio de "Somos Todos Malucos", um podcast sobre saúde mental, autoconhecimento, conversas que eu espero que acrescentem algo numa nova temporada, que já não sei em quantas é que vai. Eu simplesmente, quando me apetece gravar, gravo. Essa é a liberdade de não ter patrocinadores. Se bem que eu preferia, porque eu farto-me de largar dinheiro nisto. Mas já chega dessa conversa, que eu já abordei aqui muitas vezes, porque eu hei de continuar a fazer este podcast, porque eu gosto de fazer isto e, sobretudo, não só pelo feedback, mas pelas conversas que tenho aqui e que trago. E hoje voltamos a um tema que me diz muito, que é a perturbação obsessivo-compulsiva, para conhecer uma história, mas, sobretudo, para podermos entender como é que nós podemos usar as nossas pancadas, como eu gosto de chamar, a nosso favor. Não quer dizer, obviamente, que isto traga um processo de cura completa e que fique necessariamente curado, mas ao menos encontramos alguma utilidade e estamos a fazer algo com aquilo que muitas vezes não controlamos. E a Rita resolveu fazer algo com a costura. Olha que espetacular! Costura e POC. Quem diria? Rita Sofia.
Rita, tu já me contaste há alguns meses largos.
Esta conversa já estava a acontecer há muito tempo.
Eu até já me estava a sentir mal, pensava: "A Rita-"
Eu também já me estava a sentir mal.
"A Rita deve achar que eu não estou ligado nenhum." Mas, na verdade, às vezes é muito difícil coordenar aqui as conversas.
Mas a tua história foi muito curiosa, porque tu partilhaste o facto de seguires o podcast, de lidares também com uma perturbação obsessivo-compulsiva desde os teus 13 anos, e que tens um projeto, que já lá vamos abordar também, que liga a costura e a saúde mental. Primeiro de tudo, tu foste diagnosticada com a perturbação obsessivo-compulsiva aos 13 anos. Qual é a tua história?
Antes de mais, muito obrigada por estar aqui.
Eu quando estava na escola, tive a sorte de ter uma psicóloga com quem tive uma relação incrível e que acabava por ser ali quase que a nossa melhor amiga. Ela estava lá a fazer um estágio.
Na escola preparatória, não era preparatória básica?
Eu estava no oitavo, sétimo, oitavo. E tive sorte, e digo mesmo que foi sorte, porque ela estava lá por acaso a fazer, acho que era o estágio para a tese, era assim qualquer coisa para depois ela fazer a tese e apresentar. E ela tinha um consultório onde nos recebia.
Mas por que tu ias lá? Ou disseram assim: "Olha, está aqui uma psicóloga e vocês agora vão ter que ir lá"?
Primeiro eu ia lá porque ela era superfora da caixa. Ou seja, ela não era aquela psicóloga com quem tu te sentavas numa cadeira, numa mesa superformal, e depois tinhas aquele certo constrangimento. Não. No consultório dela, nós estávamos em pufes, tanto ela como nós, e falávamos de uma forma superaberta das coisas.
Sim. Ela na altura já devia ter perto dos 20 e tais, quase 30. Acho que isso também ajudava que ela tivesse uma aproximação conosco, mas acho que acima de tudo também tem muito a ver com a forma de ser dela e com aquilo que ela queria fazer lá na escola. Inicialmente, ela começou por ir às turmas abordar certos temas de sexualidade, coisas que na altura, claro que havia sempre aqueles risinhos, aquelas coisas, mas ela logo aí conseguiu chamar-nos muito a atenção. E a mim, especialmente, porque eu sentia muita necessidade de falar e senti nela um porto de abrigo, senti que podia confiar nela. E já tínhamos uma relação muito boa e entretanto, lembro-me que depois a escola acabou, foram as férias de verão, e naquele verão eu comecei a ter sintomas muito mais fortes. Ou seja, eu sinto que desde pequena que sei que tenho qualquer coisa, assim uma pancada.
Ou várias. Mas sinto que desde pequena que sabia o que era.
Sabias que havia algo que não era igual aos outros.
Não era igual aos outros, mas ao mesmo tempo, como eu tinha muita vergonha de falar disso, porque achava que era maluca, que acho que é uma coisa, infelizmente, que acabamos sempre por sentir, então eu não partilhava isso com ninguém. Só que aquilo chegou a uma altura, nesse verão, que eu estava a começar, eu tinha 13, já ia fazer 14 em dezembro, aquilo estava a começar a me estressar muito.
Qual era a tua cena?
Eram várias, mas começou por ser pancas com os números, ou seja, por exemplo, eu ia muitas vezes com a minha mãe ao supermercado e eu tinha uma pancada gigante com o número dois. Nós não podíamos trazer duas vezes a mesma coisa, aquilo deixava-me ansiosa.




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