Fantástico investiga os acidentes em uma das montanhas-russas mais famosas do Brasil O diagnóstico de Júlia Bossoni, jovem que sofreu uma grave lesão após andar na montanha-russa Montezum, no Hopi Hari, chamou atenção para um mecanismo conhecido na medicina c…

24/09/2026 05h49 Atualizado 24/09/2026

O Ministério Público de São Paulo investiga o caso de uma jovem que perdeu movimentos após andar na montanha-russa Montezum, no parque Hopi Hari.

Júlia sofreu traumatismo cranioencefálico em abril e passou por cirurgia. Ela perdeu o movimento do lado esquerdo do corpo e apresenta dificuldades na fala.

Outros acidentes na mesma atração causaram lesões em visitantes. Um homem ficou tetraplégico em 2014 e morreu em 2023 por complicações de infecção urinária.

O Hopi Hari informou que possui certificações de segurança e segue normas nacionais. O parque destacou um parecer do Ministério Público descartando risco coletivo.

Fantástico investiga os acidentes em uma das montanhas-russas mais famosas do Brasil

O diagnóstico de Júlia Bossoni, jovem que sofreu uma grave lesão após andar na montanha-russa Montezum, no Hopi Hari, chamou atenção para um mecanismo conhecido na medicina como traumatismo por "contra-golpe". Segundo o laudo médico, a lesão foi provocada durante o passeio na atração.

De acordo com a documentação médica, Júlia sofreu um traumatismo cranioencefálico (TCE) associado a um mecanismo de contragolpe. O termo se refere a uma lesão que ocorre no lado do cérebro oposto ao ponto de impacto ou ao movimento que provoca o trauma.

A jovem deixou a montanha-russa desacordada e foi levada em estado grave para a Santa Casa de Vinhedo. Exames identificaram hemorragia intracraniana e edema cerebral, e ela precisou passar por uma cirurgia de emergência.

Imagens mostram últimos momentos de jovem em montanha-russa do Hopi Hari antes e depois de acidente grave

Jovem perde movimentos após andar em montanha-russa do Hopi Hari — Foto: Reprodução

O que é o mecanismo de contragolpe

Segundo o neurocirurgião Victor Batistela, ouvido pela reportagem, o cérebro pode sofrer lesões internas mesmo sem impacto direto na cabeça. Isso ocorre porque o órgão se movimenta dentro do crânio quando submetido a forças intensas de aceleração e desaceleração.

"Apenas um movimento brusco de aceleração e desaceleração e rotação do crânio pode fazer a ruptura de vasos sanguíneos cerebrais, causando uma hemorragia intracraniana e levando a um edema cerebral, que foi o caso da Júlia em especial", explicou o médico.

Ainda segundo o especialista, o cérebro fica protegido pela caixa craniana, mas pode sofrer lesões quando movimentos intensos fazem o órgão se deslocar rapidamente dentro dessa estrutura.

Traumatismo por 'contra-golpe': entenda a lesão apontada em caso ocorrido em parque de diversões — Foto: Reprodução/TV Globo

Quais foram as consequências para a jovem

Após o acidente, Júlia Bossoni permaneceu internada por 57 dias. A gravidade do quadro exigiu uma craniectomia descompressiva, procedimento realizado para permitir que o cérebro inchado tivesse espaço suficiente dentro do crânio.

"Foi uma craniectomia descompressiva. Essa cirurgia visa a retirada de uma grande porção da calota craniana para permitir o cérebro fazer esse processo de inchaço", afirmou Victor Batistela.

Cinco meses após o episódio, a jovem ainda enfrenta um longo processo de recuperação. Segundo familiares, ela perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo, apresenta dificuldades na fala e tem falhas de memória. Desde o acidente, já passou por sete cirurgias e segue em tratamento com fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia.