Bonds com diversos prazos de validade representam cerca de US$ 30 trilhões dos US$ 160 trilhões do mercado global de títulos
Compartilhar matériaSe você se perde (ou se entedia) com notícias sobre o mercado de títulos, entendemos. Ninguém nasce sabendo o que é uma curva de juros, e até especialistas financeiros às vezes têm dificuldade para explicar o que acontece nesse mercado hermético de US$ 160 trilhões.
Mas quando esse canto normalmente sonolento de Wall Street começa a agitar, como tem acontecido recentemente, todos — mesmo quem nunca investiu um centavo — são afetados. Por isso, aqui vai um guia rápido sobre títulos públicos (deixaremos os títulos corporativos para outro momento) e o que eles significam para você.
Governos ao redor do mundo dependem de dinheiro emprestado para manter as contas em dia. Em vez de usar um cartão de crédito ou pedir um empréstimo ao banco, os EUA e outras nações emitem uma variedade de títulos, que são essencialmente promessas de pagamento.
Os investidores emprestam dinheiro ao governo por um período determinado e, em troca, o governo paga juros sobre esse empréstimo.
Nos EUA, esses títulos são chamados de Treasuries (em referência ao departamento que os emite) e representam cerca de US$ 30 trilhões dos US$ 160 trilhões do mercado global de títulos.
Outros grandes participantes incluem o Reino Unido, que emite os "gilts", assim chamados porque a dívida do Banco da Inglaterra no século XVII era emitida na forma de um certificado de papel com bordas douradas.
A Alemanha tem seus bunds, a França tem seus OATs (obligations assimilables du Trésor) e os títulos públicos do Japão são conhecidos em inglês simplesmente como JGBs.
Nomes diferentes, mesmo conceito: empreste dinheiro ao governo e ele devolverá com juros.
Em tempos normais, os títulos públicos são um mercado relativamente entediante, sem as oscilações de tirar o fôlego dos memes do mercado de ações ou o caos especulativo das criptomoedas.
Mas em tempos anormais, os operadores de títulos costumam sinalizar sua ansiedade empurrando os rendimentos para cima — ou seja, exigindo mais juros por assumirem o que percebem como um risco maior de emprestar dinheiro aos governos.
É o que tem acontecido desde meados de maio.
Preocupações persistentes com os altos níveis de dívida pública — os EUA acumulam agora US$ 40 trilhões, tendo dobrado ao longo da última década — colidiram com renovadas preocupações sobre a inflação, a guerra no Irã e a perspectiva de os bancos centrais elevarem as taxas de juros.
Para os consumidores, a alta nos rendimentos dos títulos pode ser uma faca de dois gumes: ela eleva o custo de todo tipo de dívida do consumidor, como hipotecas, cartões de crédito e empréstimos para carros.
Mas também pode ser uma boa notícia para quem tem poupança para investir a longo prazo, já que rendimentos mais altos tornam a compra de títulos mais barata ao mesmo tempo em que garantem uma taxa de retorno mais elevada.
O Departamento do Tesouro tentou acalmar o mercado aumentando seu programa regular de recompra para US$ 6 bilhões, embora a medida tenha até agora gerado decepção entre os investidores.
Na quarta-feira (9), os rendimentos continuaram subindo para máximas de vários anos, mesmo após o Tesouro anunciar que triplicaria aproximadamente o tamanho de sua operação de recompra neste mês em relação aos US$ 2 bilhões do mês passado.
O Tesouro emite todo tipo de dívida, desde títulos de curto prazo até bônus de 30 anos, com vencimentos que variam de algumas semanas a 30 anos. Dentro desse cardápio, há três referências — o título de 10 anos, o de 30 anos e o de 2 anos, em ordem de importância — que acabam dominando as manchetes.
Se você só prestar atenção a uma parte do mercado de títulos, que seja o rendimento do Tesouro de 10 anos.
O título do Tesouro de 10 anos está entre os lugares mais seguros do planeta para guardar dinheiro, por isso muitas pessoas o fazem, apostando na "plena fé e crédito" do governo dos EUA para pagar juros a cada seis meses e devolver o principal uma década depois.
O rendimento (ou retorno) exigido pelos investidores funciona como uma espécie de espelho da economia global, sinalizando as expectativas do mercado em relação à inflação e ao crescimento econômico.




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