Em jantar com jornalistas, republicano sugeriu que pode concorrer as eleições; Constituição dos EUA permite máximo de 2 mandatos

Em jantar com jornalistas, republicano sugeriu que pode concorrer as eleições; Constituição dos EUA permite máximo de 2 mandatos

Reprodução/Casa Branca - 24.jul.2026

de Brasília 25.jul.2026 (sábado) - 1h30 Siga o Poder360 no Google

O presidente dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano), disse nesta 6ª feira (24.jul.2026) que planeja concorrer à Presidência novamente em 2028. A declaração foi dada durante jantar com jornalistas setoristas da Casa Branca –remarcado após um atirador tentar atingir o presidente no evento, organizado em abril.

A Constituição dos EUA, no entanto, proíbe o exercício de mais de 2 mandatos, consecutivos ou não. A condição foi estabelecida na 22ª emenda.

O discurso de Trump durou pouco mais de uma hora e teve tom descontraído. O presidente disse que havia preparado um discurso mais contundente na edição cancelada do evento.

Segundo ele, a intenção era entregar uma crítica dura aos jornalistas setoristas. Ainda assim, não deixou de ironizar os presentes.

Em determinado momento, o presidente se limitou a dar declarações jocosas, mas que não arrancaram muitas risadas na platéia. Um dos constrangimentos foi quando o republicano insistiu em repetir uma piada de baixo calão.

O republicano pouco recorreu aos temas que costuma falar, mas mencionou novamente não aceitará que o Irã produza uma arma nuclear.

Trump ironizou o senador Chuck Schumer (Partido Democrata) pelo posicionamento contra Israel e ironizou o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani (Partido Democrata), por falar que considerava prender o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, caso ele visitasse a cidade.

Na fala a jornalistas, o presidente também debochou de oponentes políticos. Criticou o governador da Califórnia, Gavin Newson, por não comparecer ao jantar e o criticou por falhar em conter incêndios no Estado. É uma tradição que possíveis presidenciáveis, mesmo de oposição, marquem presença no jantar de jornalistas da Casa Branca.

O republicano ainda ridicularizou a ex-vice-presidente Kamala Harris (Partido Democrata), aliada do governador da Califórnia.

Além de Harris e Newsom, Trump mirou outros oponentes democratas. Ao falar sobre as lutas de UFC organizadas por ele na Casa Branca, o republicano ironizou o antecessor, Joe Biden.

O republicano também ridicularizou o ex-presidente Barack Obama.

A cerimônia prestou homenagem ao agente do Serviço Secreto Victor Gonzales, baleado no checkpoint de segurança fora do salão em abril. Gonzales usava colete à prova de balas e foi o único ferido naquela noite; é creditado por ter interrompido o ataque. Funcionários do Washington Hilton que auxiliaram os convidados durante o incidente também foram homenageados.

Trump aproveitou o discurso para defender a construção de um novo salão de eventos na Casa Branca, no local da antiga Ala Leste demolida. Descreveu o espaço como dotado de vidros à prova de balas e como parte de um complexo militar, com porto para drones no telhado. Sugeriu que o ataque de abril poderia ter sido evitado caso o evento tivesse sido realizado nesse novo espaço.

O jantar, que tradicionalmente é realizado no Arlington Hotel, foi deslocado para o hotel Waldorf Astoria, em Washington, por questões de segurança. Trump disse estar usando um colete a prova de balas.

Desta vez, a mulher do presidente, Melania Trump, e o vice-presidente JD Vance (Partido Republicano) não compareceram.

Em 25 de abril, um homem armado –posteriormente identificado como Cole Allen– tentou invadir o espaço onde o evento era realizado, no Washington Hilton Hotel, mas foi contido e detido por agentes do Serviço Secreto.

Leia abaixo o que se sabe:

Em 11 de maio, Allen se declarou inocente das acusações de tentativa de assassinato do presidente. O atirador enfrenta múltiplas acusações criminais, incluindo tentativa de assassinato do presidente, agressão a um agente federal e crimes relacionados ao uso de armas de fogo.

O atirador, de 31 anos, morava na cidade de Torrance, na Califórnia, fez uma doação para a campanha da então candidata e vice-presidente Kamala Harris (Partido Democrata), em outubro de 2024. Registros da Comissão Eleitoral Federal indicam que ele doou US$ 25 (cerca de R$ 125) para o ActBlue, comitê de ação política que arrecada fundos para democratas.