Jornalistas que cobrem a marcha denunciaram ‘obstáculos ilegais’ para noticiarem o evento
A polícia turca deteve neste domingo pelo menos 50 pessoas, entre elas uma jornalista, durante a Marcha do Orgulho LGBT+ em Istambul, onde as manifestações foram proibidas e o principal ponto de encontro foi isolado pelas forças de segurança, segundo informaram os organizadores.
A polícia reforçou a segurança ao redor da emblemática Praça Taksim, em Istambul, instalando barreiras metálicas, enquanto as autoridades locais proibiram manifestações nos locais de encontro, entre eles o bairro de Kadiköy, situado na margem asiática.
A circulação do metrô também foi restringida em vários pontos do centro da cidade.
“Os jornalistas que cobrem a Marcha do Orgulho em Istambul enfrentam novamente este ano obstáculos ilegais”, afirmou o Sindicato Turco de Jornalistas no X.
A organização garantiu que a repórter Muberra Unsal “se identificou repetidamente como jornalista”, embora tenha sido detida mesmo assim.
Os manifestantes LGBTQ+, que se reuniram em vários bairros da cidade, proclamaram sua intenção de continuar com suas mobilizações.
“O dia ainda não acabou. Na verdade, estamos apenas começando. Não desistiremos. Continuaremos indo às ruas, onde quer que estejamos”, gritavam os manifestantes.
No sábado, as autoridades turcas haviam ordenado o fechamento de um bar gay em Istambul por supostas infrações à legislação, embora sem fornecer detalhes.
O fechamento ocorreu depois que grupos islâmicos protestaram nas redes sociais contra um cruzeiro previsto para viajantes LGBTQ+, alegando que a escala do programa na Turquia estava sendo organizada pelo proprietário do bar cujo fechamento foi ordenado.
O navio tinha previsto atracar em Istambul no dia 8 de julho, mas alterou seu itinerário e cancelou a escala na cidade.
A homossexualidade não é ilegal na Turquia, mas a comunidade LGBTQ+ é frequentemente alvo de ataques verbais do presidente Recep Tayyip Erdogan, que a responsabiliza pela queda da taxa de natalidade.




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