Pesquisa do Unicef mostra que a maioria dos crimes ocorre nas redes sociais e jogos online, cujas estruturas permitem explorar confiança das vítimas. Dados do país são semelhantes ao da média global.
A média global de menores que reportaram ter sido vítimas de pelo menos uma forma de exploração ou abuso sexual relacionado ao uso da tecnologia nos doze meses anteriores é a mesma da brasileira (18%). É o equivalente a dizer que estimados 20 milhões de adolescentes são vitimizados anualmente no planeta.
As formas de abuso e exploração sexual mais reportadas, no caso brasileiro, foram a exposição indesejada a conteúdo sexual na internet (13,7% dos entrevistados); pedidos para falar sobre atos sexuais ou enviar imagens do próprio corpo (10,5%) e ofertas de dinheiro ou presentes em troca de imagens ou encontros sexuais (5,3%).
A diretora executiva da agência, Catherine Russell, fala numa "realidade dolorosa". "Essas experiências causam profundo sofrimento emocional e psicológico," afirma. Os impactos podem se prolongar no tempo, afetando a escolaridade, os relacionamentos e a vida cotidiana.
A medida seguiu o caso de uma adolescente que tirou a própria vida durante uma live na plataforma. A polícia ligou o episódio a uma suposta organização criminosa acusada de atrair crianças e adolescentes para comunidades virtuais, onde seriam submetidos a diversos tipos de abusos.
Outros estudos já chegaram a conclusões semelhantes. A pesquisa EU Kids Online, publicada em 2020 após entrevistas em 19 países europeus, indicou que 22% de todos os participantes haviam recebido mensagens de conteúdo sexualizado.
Já num estudo realizado em sete escolas da Espanha entre 2021 e 2022, 21% das meninas entrevistadas afirmaram sofrer assédio sexual online ocasionalmente. Outros 5% disseram enfrentar esse tipo de situação com frequência. Entre os meninos, os percentuais foram alguns pontos percentuais mais baixos em ambas as categorias.
Já uma pesquisa do Pew Research Center, de 2022, apontou que 17% dos jovens entre 13 e 17 anos nos Estados Unidos receberam imagens explícitas online sem consentimento. O levantamento não diferenciou conteúdo sexualizado de outros tipos, como imagens de violência.
Contribuiu David Ehl.




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