Ciente do ativo eleitoral da ex-primeira-dama, presidente do PL antecipa volta ao Brasil e prega cautela nos bastidores
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26.jun.2026 às 23h00
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O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) têm pregado cautela e estimulado uma conciliação entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência.
Parlamentares afirmam que, com Jair Bolsonaro (PL) preso, o presidente do PL vê a ex-primeira-dama como um dos principais ativos políticos do partido e sabe que é preciso administrar bem a crise provocada pelas duras críticas feitas por ela ao enteado.
O PL também precisa de Michelle para atingir o plano de fazer a maior bancada da Câmara dos Deputados nas eleições deste ano —o que daria à sigla, consequentemente, a maior fatia dos fundos partidário e eleitoral.
Aliados de Michelle dizem que a campanha de Flávio e o partido precisam reconhecer o trabalho feito à frente do PL Mulher e abrir espaço para que ela ajude a montar as chapas estaduais.
A ex-primeira-dama filiou mulheres, puxou votos para prefeitos e vereadores nas eleições de 2024 e estruturou os diretórios do PL Mulher nas 27 unidades da federação. Às vésperas das eleições gerais, porém, Michelle tem visto suas candidatas serem rifadas, segundo seus aliados.
O caso que mais tem incomodado a ex-primeira-dama é o da vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL). Michelle quer que Priscila seja candidata ao Senado, mas o presidente do PL no Ceará, deputado federal André Fernandes, diz que a vaga será do pai dele, Alcides Fernandes (PL).
Nos vídeos, Michelle afirma que, pela lógica da cota que reserva 30% do fundo eleitoral para candidaturas femininas, o PL Mulher teria o direito de indicar 17 candidatas para as 54 vagas a senador que estarão em disputa neste ano.
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Apesar disso, indicou três: Priscila no Ceará, a deputada federal Bia Kicis no Distrito Federal e a deputada federal Caroline De Toni em Santa Catarina. "Três vagas de 17 que poderíamos ter, e tem sido uma batalha diária para manter essas três. Isso é muito desgastante", disse.
Valdemar estava nos Estados Unidos acompanhando a Copa do Mundo quando Michelle publicou os vídeos em que diz que Flávio a maltratou, humilhou e deixou subentendido que não queria a participação dela na campanha presidencial dele.
O presidente do PL antecipou a volta ao Brasil para, segundo ele, conversar pessoalmente com os dois antes de tomar qualquer decisão. Questionado pela reportagem sobre a briga entre Flávio e Michelle, disse ser preciso "ter calma" neste momento.
Depois dos vídeos de Michelle, Valdemar divulgou uma nota em que elogia indiretamente a dupla, diz que divergências fazem parte de ambientes plurais e afirma admirar "a coragem dos que defendem aquilo que acreditam".
"Michelle e Flávio conhecem muito bem nosso presidente Bolsonaro e sabem do grande respeito que ele tem às convicções e aos pensamentos individuais, e isso se tornou um dos princípios mais valiosos do nosso partido. É essa autenticidade que nos conecta com o povo brasileiro", disse.




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