O Vasco terá o jogo mais importante do ano nesta terça-feira, quando faz a volta da semifinal da Sul-Americana contra o Boca Juniors.
O Vasco terá o jogo mais importante do ano nesta terça-feira, quando faz a volta da semifinal da Sul-Americana contra o Boca Juniors. A partida está marcada para 21h30 (de Brasília) e, após semanas de turbulência nos bastidores, está confirmada para acontecer no Maracanã. O confronto, que pode levar o Cruzmaltino de volta a uma final continental após 26 anos, também acontece em uma semana importante para o clube concluir a venda da SAF para a Almirante Participações S/A, empresa de Marcos Lamacchia, enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras.
Desde que se classificou para a semifinal da Sul-Americana, o Vasco já sabia que não poderia disputar o jogo da volta contra o Boca em São Januário. Segundo as regras da Conmebol, partidas pela semi precisam acontecer em estádios com capacidade mínima de 30 mil pessoas — número não atingido pelo estádio vascaíno.
O Cruzmaltino fez um pedido para a dupla Fla-Flu, que administra o Maracanã, para usar o estádio para o duelo decisivo. O pedido, no entanto, foi negado e o Vasco levou o imbróglio para a Justiça.
Nos tribunais, reviravolta. No último dia 9, a Justiça do Rio acatou um recurso do Vasco e determinou que o Maracanã fosse disponibilizado. A dupla Fla-Flu recorreu da decisão e, um dia depois, ela foi suspensa — deixando novamente o jogo sem local definido. No dia 13, a Justiça acatou uma nova petição do Cruzmaltino e determinou, mais uma vez, que a partida acontecesse no Maracanã.
Ontem, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) votou, deu razão de maneira unânime contra uma outra liminar obtida pelos rivais confirmou a partida para o Maracanã. A Conmebol já havia avisado que, se o duelo tivesse outra alteração de local, poderia levar o jogo para o Paraguai.
Depois de vencer o cabo de guerra, o Cruzmaltino espera contar com a força de sua torcida, que esgotou os ingressos para o jogo da volta. Na ida, o Vasco conseguiu um grande resultado e venceu o Boca Juniors na Bombonera por 1 a 0.
Um empate no Maracanã já garantirá o time de Pedro Emanuel na final da Sul-Americana e quebrará um tabu de quase 30 anos. A última vez que o Gigante da Colina chegou a uma decisão continental foi em 2000, quando conquistou a Copa Mercosul contra contra o Palmeiras.
O técnico português foi um dos que mais defendeu a disputa da semifinal no Maraca. Para Pedro Emanuel, a discussão vai além da disputa judicial e o estádio combina com o tamanho do confronto.
Acho que o Maracanã, por ter a grandiosidade que tem, e São Januário, por ser nossa casa, acho que se encaixam perfeitamente. E acho que isto é muito mais que uma disputa judicial. Tem a ver com o que é a grandeza do futebol, e as entidades competentes podem resolver isso facilmente. Acho que um Vasco x Boca no Rio de Janeiro sem ser no Maracanã ou São Januário não é a mesma coisaPedro Emanuel, técnico do Vasco
Fora de campo, o clube carioca também vive processo importante para concluir a venda da SAF para a Almirante Participações S/A, empresa de Marcos Lamacchia. Na sexta-feira (23), os sócios do Vasco vão votar, em Assembleia Geral Extraordinária, a aprovação da venda, sendo esta a última etapa para conclusão do negócio.
A empresa do enteado de Leila Pereira virou, através de um leilão realizado pela Justiça do Rio em setembro, a compradora da SAF do Cruzmaltino. Tecnicamente, o que foi vendido foi uma UPI Equity, uma unidade de produção isolada de ações, em um mecanismo feito para isolar ativos específicos de uma empresa em recuperação judicial. Assim, o controle do futebol é vendido sem que o comprador leve também as dívidas do passado.
A atual SAF Vasco terá que criar uma nova sociedade anônima e passará as ações à vencedora do leilão. O combo também envolve propriedade intelectual da marca Vasco e o uso de São Januário. Pelo edital, a proposta precisava assegurar R$ 500 milhões de aporte total, sendo R$ 100 milhões por ano no período de 2026 a 2030.
O valor de R$ 500 milhões deverá ser usado exclusivamente com o futebol e não poderá ser destinado ao pagamento de dívidas. Há ainda a exigência de que a nova SAF vá investir R$ 120 milhões ao longo de 10 anos no CT do Vasco e outros R$ 30 milhões em dois anos para melhorar a estrutura da base.
Antes da votação dos sócios, a venda passou pela aprovação do Conselho Deliberativo do clube. A Almirante comprou 90% da SAF, enquanto 10% ficarão com o clube associativo.
O Vasco divulgou que existem 7.195 sócios aptos para a votação — é preciso 50% + 1 de votos totais para que a venda seja aprovada. A votação acontecerá das 10h às 20h, de maneira híbrida.
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