A Venezuela está prestes a revelar uma série de dívidas que somam US$ 240 bilhões (R$ 1,24 trilhão), muito maior do que se pensava anteriormente, enquanto o país encara a maior reestruturação soberana da história após o ditador Nicolás Maduro ser deposto do poder pelos EUA. Leia mais (06/24/2026 - 09h45)

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James Fontanella-Khan Joseph Cotterill Arash Massoudi

Nova York e Londres | Financial Times

A Venezuela está prestes a revelar uma série de dívidas que somam US$ 240 bilhões (R$ 1,24 trilhão), muito maior do que se pensava anteriormente, enquanto o país encara a maior reestruturação soberana da história após o ditador Nicolás Maduro ser deposto do poder pelos EUA.

O país está a caminho de revelar empréstimos significativamente maiores do que as estimativas de mercado de US$ 150 bilhões a US$ 200 bilhões (R$ 777,75 bilhões a R$ 1,04 trilhão) quando tornar pública as informações sobre o estado de suas finanças para os credores nas próximas semanas, de acordo com pessoas familiarizadas com os planos do país.

Delcy Rodríguez, líder interina da Venezuela, pretende chegar a um acordo com os credores até o final deste ano que abriria caminho para o retorno da nação aos mercados internacionais após quase uma década de exclusão sob Maduro.

O banco de investimento norte-americano Centerview Partners, contratado como assessor financeiro por Caracas, ajudou a elaborar um plano para retornar a dívida da Venezuela a uma base sustentável, que será publicado no início de julho, segundo pessoas familiarizadas com os planos.

O governo também divulgará um aguardado arcabouço macroeconômico ainda este mês, que estimará o tamanho da devastada economia devastada do país em cerca de US$ 100 bilhões (R$ 518,5 bilhões), abaixo dos US$ 370 bilhões em 2012 —o último ano no poder do antecessor de Maduro, Hugo Chávez— colocando sua relação dívida/PIB (Produto Interno Bruto) acima de 200%, acrescentaram as pessoas ouvidas pela reportagem.

De forma incomum para uma grande reestruturação soberana, a análise de sustentabilidade da dívida não foi elaborada pelo FMI (Fundo Monetário Internacional). Os detentores de títulos provavelmente verão a avaliação precária das finanças do país como um sinal de que a Venezuela solicitará uma redução significativa no valor de suas dívidas.

No entanto, alguns membros da oposição venezuelana temem que uma reestruturação acelerada fora dos auspícios do FMI possa colocar a Venezuela em uma posição de negociação mais fraca com os detentores de títulos.

Os títulos da Venezuela são negociados a cerca de US$ 0,55 (R$ 2,85), acima dos US$ 0,33 (R$ 1,71) antes da queda de Maduro, mas esses preços excluem anos de juros não pagos.

Um investidor que recentemente se desfez de posições em títulos venezuelanos recordou que esta é uma rara reestruturação que é feita sem o FMI analisar a sustentabilidade da dívida e que o fundo precisa discutir o tema com credores, precedido de uma auditoria da dívida.

Pessoas familiarizadas com os planos de dívida da Venezuela disseram que houve discussões técnicas com o fundo sobre os dados econômicos do país e que o plano de dívida se assemelhará a um modelo do FMI.

A Venezuela retomou relações com o fundo em abril após sete anos de afastamento.

Um porta-voz do FMI disse que a instituição não esteve envolvida no processo de reestruturação da dívida anunciado pela Venezuela. "A equipe do fundo mantém engajamento regular com as autoridades venezuelanas, incluindo sobre as perspectivas macroeconômicas, como fazemos com todos os nossos países membros. O fundo está pronto para auxiliar as autoridades conforme necessário", informou.

A Centerview se recusou a comentar.

Agora, a Venezuela está prestes a superar o plano de reestruturação da Grécia em 2012, quando houve um calote de US$ 200 bilhões durante a crise da zona do euro, como a maior reestruturação já registrada. Esse planejamento é visto como mais complicado do que qualquer reestruturação anterior devido à variedade das dívidas da Venezuela e ao longo período desde que Caracas parou de pagar os credores.