Festival ocupa o Centro Histórico e as margens do Rio São Francisco nos dias 4 e 5 de setembro Sidinéia Tavares _ assessoria Quando setembro chega ao sertão alagoano, Piranhas parece escutar primeiro o rio. A programação reúne música autoral, cultura popular, cinema, literatura, teatro, palhaçaria e cortejos, compondo um festival que faz da beira do Rio São Francisco parte do espetáculo. A abertura do Vozes acontece na sexta-feira, 04, quando o festival deixa de ocupar apenas um palco

Festival ocupa o Centro Histórico e as margens do Rio São Francisco nos dias 4 e 5 de setembro

Sidinéia Tavares _ assessoria

Quando setembro chega ao sertão alagoano, Piranhas parece escutar primeiro o rio. Depois vêm os passos, os tambores, as vozes e o sopro dos pífanos atravessando as ruas de pedra. É nesse encontro entre memória e criação que o Vozes do Velho Chico 2026 volta a ocupar a cidade nos dias 4 e 5 de setembro, transformando o Centro Histórico e as margens do Rio São Francisco em um grande território de convivência cultural.

A programação reúne música autoral, cultura popular, cinema, literatura, teatro, palhaçaria e cortejos, compondo um festival que faz da beira do Rio São Francisco parte do espetáculo.

A abertura do Vozes acontece na sexta-feira, 04, quando o festival deixa de ocupar apenas um palco para tomar conta das ruas do Centro Histórico.

Às 16h, o público se reúne na Nossa Bodega, ponto de encontro que se tornou uma das marcas do evento. Uma hora depois, o festival começa oficialmente com a apresentação do Teatro de Retalhos (PE), levando a palhaçaria para o espaço público em uma celebração do riso compartilhado.

Quando o relógio marcar 18h, a cidade passará a caminhar ao ritmo do Cortejo do Boi do Chico, conduzido por Mestre Laércio de Bamba, uma das grandes referências da cultura popular de Pão de Açúcar (AL).

A noite continua com o Sarau de Todas as Vozes, às 19h, na Nossa Bodega, com Junior Rutur (Sergipe) e Xand Farra (Alagoas).No sábado, 05, ainda na Nossa Bodega, a programação começa com a Banda de Pífano da Casa.

Em seguida, a programação migra para a Pousada Trilha do Velho Chico, onde o rio passa a dividir a cena com os artistas. A partir das 16h, a Feirinha do Vozes abre espaço para o encontro entre público, economia criativa e produção cultural.

Às 17h, a DJ Talita abre a programação musical com uma discotecagem construída a partir de sua pesquisa sobre a música brasileira. Colecionadora de vinil desde 2005, ela transformou duas décadas de escuta dedicada à música popular brasileira, à produção nordestina e às vozes femininas em um set 100% vinil, marcado por regionalidades e brasilidades.

Às 18h, o CineTrilha apresenta três produções alagoanas que ampliam o diálogo entre território, memória e identidade. Serão exibidas as produções alagoanas “A Gente Foi Feliz Aqui”, “O Mapa em que Estão os Meus Pés”, e “Álbum do Bebê”.

A noite, o festival muda novamente de linguagem, ao trazer a atriz e dramaturga Ticiane Simões, vencedora do II Concurso Nacional de Dramaturgia Flávio Migliaccio, apresenta a leitura cênica de Precisamos Falar Sobre Amor.te, acompanhada pela antropóloga, cantora e pesquisadora Isabela Barbosa, artista viçosense que constrói sua trajetória entre música, memória, patrimônio e cultura afro-indígena.

Na sequência, sobe ao palco Romildo Melodias, poeta, cantador e filósofo pernambucano. Romildo foi escolhido pelo voto popular, através do Instagram do Vozes.

Natural de Bom Conselho (PE), Romildo construiu uma trajetória que aproxima filosofia, tradição oral e música autoral. Seu espetáculo Espessamento, apresentado em formato de cordas, reúne voz, violão e viola em uma experiência inspirada nas paisagens culturais do Agreste e do Sertão, misturando poesia popular, afrolatinidades e ritmos nordestinos.

Logo após, Cláudio Rabeca sobe ao palco. Ele é um dos principais nomes da rabeca brasileira contemporânea, faz sua estreia no Vozes do Velho Chico levando um espetáculo que atravessa forró, frevo, samba, coco, cavalo-marinho e maracatu.

Nascido em Natal (RN) e radicado em Pernambuco, o músico construiu uma carreira marcada pelo aprendizado com Mestre Salustiano, tornando-se também professor e construtor de rabecas. Sua apresentação carrega ainda uma ligação afetiva com Alagoas, onde guarda como referência o encontro que teve com o lendário Nelson da Rabeca, em Marechal Deodoro.

A despedida do festival ainda guarda mais um encontro com a DJ Talita. Ela retorna às pick-ups para mais um set musical celebrando a música regional e as brasilidades.

O que é o Vozes do Velho ChicoCriado em 2014, o Vozes do Velho Chico nasceu como uma homenagem ao Rio São Francisco e tornou-se um dos principais encontros culturais do Alto Sertão alagoano. Ao longo de mais de uma década, o festival consolidou uma programação que aproxima música, literatura, teatro, cinema, circo, gastronomia, artes visuais e manifestações populares, fortalecendo o diálogo entre artistas, moradores, visitantes e comunidades ribeirinhas.

A edição de 2026 acontece nos dias 4 e 5 de setembro, em Piranhas (AL), com realização da Pousada Trilha do Velho Chico, produção do Instituto Boibumbarte e incentivo da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, operacionalizado pela Prefeitura de Piranhas, através da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.

PROGRAMAÇÃOSexta-feira, 04, o Vozes começa ocupando o coração de PiranhasAs primeiras atividades acontecem no Centrinho Histórico, transformando as ruas, a praça e a Nossa Bodega em um grande espaço de encontro, cultura e convivência.16h – Concentração na Nossa Bodega17h – Abertura17h10 às 18h – Palhaçaria com Teatro de Retalhos (PE)18h às 19h – Cortejo do Boi do Chico, com Mestre Laercio (AL)19h às 20h30 – Sarau de Todas as Vozes na Nossa Bodega com Júnior Ritir (SE) e Xandy Farra (AL)Todas as atividades são gratuitas.