A crescente ocupação de zonas inundáveis, a impermeabilização dos solos ou a alteração dos cursos de água são fatores que contribuem para aumentar o im...

  A organização ambientalista, a propósito do Dia Nacional da Água, que se assinala na quinta-feira, divulgou uma análise ao problema das cheias, tendo por base as tempestades do início do ano, na qual alerta para os elevados custos da inação.

É certo, diz no documento, que as alterações climáticas reforçam a tendência de cheias, tornando mais frequentes e intensos os eventos extremos de precipitação, mas a invasão de leitos de cheias ou algumas práticas agrícolas intensivas, aliadas a insuficiente preparação para fenómenos extremos, agravam a situação.

Por tal a WWF deixa na análise um conjunto de recomendações para reduzir o risco de cheias, como a proteção e recuperação de zonas inundáveis e a devolução de espaço aos rios.

Em Portugal Continental, recorda, estão identificadas 63 Áreas de Risco Potencial Significativo de Inundações (ARPSI), 47 de origem fluvial/pluvial e 16 de origem costeira, algumas onde se continua a construir.

Segundo o documento, algumas das estruturas criadas para utilizar a água, ou mesmo para proteger as pessoas do risco de inundações, como diques, represas, barragens, encanamentos e artificialização de margens, "criam uma falsa sensação de segurança que incentiva uma ocupação mais alargada das zonas inundáveis, aumentando a exposição ao risco nos eventos mais extremos".

Importa "reduzir drasticamente" a ocupação permanente dos leitos de cheia, se necessário retirando ou relocalizando edifícios, especialmente estruturas como escolas, hospitais ou lares.

Propõe também o reforço da retenção natural de água nas paisagens agrícolas, a implementação de sistemas de drenagem urbana sustentável, a execução dos planos municipais de adaptação às alterações climáticas e o reforço dos sistemas de alerta e resposta.

A associação explica que há medidas naturais que reduzem o risco de inundação, como a recuperação de corredores de vegetação natural entre as parcelas agrícolas. E nas cidades as infraestruturas verdes, que reduzam a área impermeabilizada do solo.

"O risco de cheias não pode continuar a ser gerido apenas quando a emergência acontece. As cheias não são inevitáveis e a inação tem custos ainda maiores. A prevenção é urgente", diz, citado num comunicado sobre a análise, Afonso do Ó, consultor de Água, Clima e Restauro Ecológico da WWF Portugal.

No documento hoje apresentado, "O que as tempestades nos ensinaram", a organização recorda o mau tempo dos primeiros meses do ano, que provocaram "elevados prejuízos humanos, sociais e económicos", e defende que a resposta não passa apenas por mais obras hidráulicas ou intervenções de emergência, mas sobretudo "por uma abordagem preventiva que trabalhe com a natureza e reduza a exposição ao risco".

"O impacto das tempestades não depende apenas da quantidade de chuva que cai. Depende também das escolhas que fazemos na forma como ocupamos o território, gerimos os rios e nos preparamos para fenómenos extremos", diz também Afonso do Ó.

A água, refere a WWF Portugal, deve ser encarada não apenas como um recurso essencial, mas também como um elemento que exige uma gestão integrada e preventiva.

A WWF é uma das maiores organizações independentes de conservação do mundo, com mais de 5 milhões de apoiantes e uma rede global ativa em mais de 100 países. Está presente em Portugal desde os anos 90 e tem atualmente ativos cerca de 30 projetos.

O Dia Nacional da Água marca o início do novo ano hidrológico, por norma associado à expectativa do aumento das reservas hídricas superficiais e subterrâneas.

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