Xangai apresenta, atualmente, a maior taxa de vacância de escritórios do mundo, segundo dados recentes do setor, em um cenário no qual empresas estrangeiras recuam de investimentos na China.

No segundo trimestre deste ano, Xangai registrou uma taxa de vacância de 24,5%, de acordo com o grupo global de serviços imobiliários CBRE, liderando uma lista que abrange 20 cidades ao redor do globo. Pequim aparece na oitava posição, com uma taxa de 17,9%.

Os edifícios comerciais no distrito financeiro de Lujiazui, em Xangai, iluminam a famosa orla do Bund todas as noites. No entanto, revelou-se recentemente que vários desses prédios estão completamente desocupados.

Apenas as salas voltadas para o exterior permanecem com as luzes acesas — um esforço aparente para preservar a icônica paisagem noturna de Xangai.

A taxa de vacância em Xangai subiu 5,1 pontos percentuais em relação ao quarto trimestre de 2019, período imediatamente anterior à pandemia de covid-19. Esse aumento foi superior ao registrado em Nova York (3,8 pontos), Londres (2,6 pontos) e Tóquio (0,7 ponto).

Um dos principais fatores que contribuem para a elevada taxa de vacância de escritórios em Xangai é a redução dos gastos por parte de empresas estrangeiras.

No segundo trimestre, o investimento estrangeiro direto na China totalizou US$ 26,6 bilhões (em termos líquidos), segundo a Administração Estatal de Câmbio da China — uma queda de 23% em relação ao primeiro trimestre. Além da redução de investimentos por parte de companhias americanas e europeias, diversas empresas japonesas também estão diminuindo seus aportes, em parte devido à deterioração das relações bilaterais.

O problema da vacância de escritórios também está se espalhando por cidades do interior do país. Em um edifício na metrópole de Chongqing, no sudoeste chinês, uma porta que dava acesso a um espaço desocupado trazia um aviso oferecendo desconto no aluguel.

Embora não especificasse um valor, o aviso continha as informações de contato do proprietário e a observação: "Aberto a negociações".

No espaço de aproximadamente 200 metros quadrados, partes do piso haviam sido removidas e cabos pendiam do teto. O nome do que parecia ser o ocupante anterior ainda estava visível na porta.

Havia, segundo relatos, espaços vagos em todos os andares deste edifício comercial em Chongqing, que abriga cerca de 10 unidades por pavimento.

Também em Chongqing, há um edifício comercial de 60 andares que permanece inacabado devido às dificuldades financeiras da incorporadora. Os andares inferiores são ocupados por um centro comercial, mas não se vê nenhum inquilino nos níveis superiores.

Uma área que, a princípio, deveria servir como entrada para a torre comercial, hoje é ocupada por um restaurante. À noite, o arranha-céu permanece totalmente às escuras, em um contraste marcante com as janelas bem iluminadas dos edifícios ao redor.

Muitos edifícios comerciais na China pertencem a empresas estatais; por isso, não se espera que uma queda nas taxas de ocupação afete as finanças de imediato. Contudo, caso essas tendências persistam, a falta de demanda pode pressionar os valores dos aluguéis para baixo e impactar edifícios de propriedade privada.