O treinamento do grupo pop japonês começou ainda na adolescência, após um processo de seleção com milhares de pessoas

Toda noite, antes de subir ao palco, os sete integrantes do grupo pop XG formam um círculo e dão as mãos. A líder da banda, Jurin, grita "Hesono", e os outros membros respondem com um grito alto de "Oh", jogando os braços para o céu.

A banda não é a única a ter um ritual antes dos shows — mas há uma mensagem especial por trás do grito conjunto do XG.

Hesono-o (ou, mais precisamente, へその緒) é a palavra japonesa para "cordão umbilical". Ela pode simbolizar o destino ou o vínculo de alguém desde o nascimento. Para o XG, a expressão representa a intensidade da ligação que compartilham.

"Temos uma conexão tão forte que estamos sempre pensando as mesmas coisas", diz Chisa, a integrante mais velha do grupo.

"Nos nossos primeiros dias, eu tive um sonho em que estávamos ligados por um cordão umbilical, como mãe e bebê. Então eu lancei isso como uma ideia para a nossa identidade. Acharam que era algo novo e interessante, e assim nasceu o conceito de Hesono-o."

A BBC conversou com o grupo no dia seguinte a uma apresentação de sucesso (ainda que sob chuva) no Summertime Ball de Londres, no Estádio de Wembley.

Todos os sete integrantes — Maya, Juria, Hinata, Harvey, Cocona, Chisa e Jurin — usavam roupas neon vibrantes, cheias de detalhes de 'faux fur' (tecido sintético que imita pele animal) e fivelas de cinto intrincadas.

Cocona usava um colar que dizia "rock star". Harvey tinha tantas pulseiras no braço que fazia barulho ao caminhar.

Cada membro tem seu estilo individual, mas eles se movem como uma coisa só — e a cumplicidade que compartilham é evidente. Ao responder às perguntas, eles conversam em grupo antes de escolher uma porta-voz.

É uma conexão construída há mais de 10 anos, quando alguns integrantes tinham só 11 ou 12 anos.

As atuais estrelas do XG foram selecionadas entre milhares de concorrentes no Japão em 2016. Vinte e uma pessoas foram escolhidas para o treinamento, vivendo em dormitórios e tendo aulas do começo ao fim do dia de canto, dança e idiomas diversos.

A rotina não perdoava. Em um documentário sobre os primeiros dias da banda, participantes são repreendidos por postar fotos dos dormitórios nas redes sociais: "Você nunca vai conquistar respeito fazendo esse tipo de coisa", diz um instrutor aos adolescentes.

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Outra cena mostrava o grupo fazendo agachamentos até passar mal ou começar a chorar.

"Foi a experiência mais difícil e mais dura que eu já tive", diz Maya sobre o período. "Era uma batalha contra mim mesma, física e mentalmente."

Olhando para trás, Chisa descreve o treinamento como um ato de "sobrevivência pura". Foi só quando as 21 pessoas foram divididas em equipes que uma espécie de irmandade começou a surgir.

"De um jeito positivo, a gente se empurrava a ficar cada vez melhores, então cada equipe acabou ficando bastante unida", ela diz.

"Da metade até a parte final do nosso período como trainees, começamos a sair mais em grupo — saíamos, viajávamos, fazíamos pequenas competições esportivas, coisas assim.

"A gente adorava ver filmes em grupo", acrescenta Hinata. "Especialmente filmes de terror, porque a gente se encolhia debaixo do cobertor, sentindo medo.