Por José Luis Oreiro A publicação de A Grande Divergência (2000), de Kenneth Pomeranz, representou um marco na historiografia econômica ao desafiar as narr...
Por José Luis Oreiro
A publicação de A Grande Divergência (2000), de Kenneth Pomeranz, representou um marco na historiografia econômica ao desafiar as narrativas eurocêntricas sobre o pioneirismo industrial britânico. Ao argumentar que os núcleos dinâmicos da Ásia (como o Delta do Yangtzé) e da Europa apresentavam níveis comparáveis de desenvolvimento até cerca de 1800, Pomeranz atribuiu a decolagem inglesa a fatores exógenos: um alívio ecológico e geográfico propiciado pelo carvão abundante e pela exploração territorial do Novo Mundo.
As críticas mais frágeis à tese de Pomeranz concentram-se em duas frentes analíticas equivocadas:
O núcleo inabalável da crítica a Pomeranz — muito bem dimensionado nos trabalhos de Peer Vries e que encontra seu contorno teórico exato na análise do desenvolvimento de Erik Reinert — desloca o eixo da geografia e da estatística abstrata para a economia política e a capacidade coercitiva e diretiva do Estado.




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