Mensagens extraídas pela PF mostram a proximidade do ex-banqueiro com políticos, autoridades e outros nomes que circulavam em seu entorno
Se Daniel Vorcaro levasse ao pé da letra todos os "irmãos" que tinha no celular, a família do ex-banqueiro do Banco Master seria grande. Mensagens extraídas do aparelho de Vorcaro mostram que, além de manter conversas com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, ele também trocava mensagens com políticos, parlamentares e outras figuras públicas em tom de muita proximidade.
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Nas mensagens, termos como "irmão", "irmãozinho", "Dani", "lindão" e "mermão" aparecem diversas vezes. Em determinados casos, o próprio ex-banqueiro usa o termo para se referir aos contatos.
Um dos exemplos é o do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL). Em 16 de novembro, às vésperas da prisão de Daniel Vorcaro e da liquidação do Banco Master pelo Banco Central, o parlamentar enviou uma mensagem ao ex-banqueiro.
"Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!", escreveu Flávio.
Dois meses antes, o senador havia procurado o dono do Banco Master para pedir dinheiro para Dark Horse, filme sobre seu pai, o ex-presidente condenado por tentativa de golpe de Estado Jair Bolsonaro.
As mensagens reveladas pelo site The Intercept Brasil indicam proximidade entre os dois. Vorcaro se referia a Flávio como "irmão" e "irmãozão", enquanto também era chamado pelo parlamentar de "mermão".
O deputado federal Nikolas Ferreira também aparece nas mensagens extraídas do celular de Vorcaro. Segundo conversas obtidas pelo ICL Notícias, o parlamentar pediu que o ex-banqueiro ajudasse seu ex-assessor de gabinete, Thiago Faria, e seu advogado a liberar "um ativo de minério".
Em um áudio enviado a Vorcaro, Nikolas chama o empresário de "Dani" e afirma que gostaria de ter mais proximidade com ele. Vorcaro respondeu com um áudio de visualização única.
Na sequência, Nikolas agradeceu e enviou o contato de Thiago Faria. Ao encerrar a conversa, Vorcaro escreveu: "Amém irmão. Estamos na guerra juntos"
Ainda na mensagem de voz, o deputado pediu desculpas por publicações nas quais havia criticado um evento financiado pelo Banco Master em Londres. Na despedida, também adotou um tom amigável: "[...] Depois vamos marcar da gente se encontrar também, tá bem? Um abraço, lindão."
O deputado federal Mario Frias (PL-SP) aparece em outra conversa relacionada ao filme Dark Horse. Em dezembro de 2024, segundo mensagens reveladas pelo The Intercept Brasil, Frias enviou um áudio a Vorcaro para agradecer pelo apoio à produção do longa sobre Jair Bolsonaro.
"Só te agradecer, meu irmão. Vamos mexer com o coração de muita gente e vai ser muito importante para o nosso país, tá? Preciso de vez em quando te falar como as coisas vão andando, tá?", disse o deputado.
Frias, que foi secretário especial da Cultura durante o governo Bolsonaro, é produtor-executivo do filme e negou que o filme foi financiado pelo ex-banqueiro.
A lista de "irmãos" de Vorcaro também inclui o advogado Ciro Soares. Responsável pela interlocução entre o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e Daniel Vorcaro, ele escreveu ao ex-banqueiro em abril de 2024: "Amizade é tudo viu irmão".
Inicialmente, os dois trataram de assuntos relacionados a Jarbas Soares Júnior, ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais. No ano seguinte, Ciro e Vorcaro conversaram sobre a organização de um evento em Londres financiado pelo Banco Master, ao qual Pedro, filho de Gonet, iria com as despesas pagas pelo banco.
O ex-modelo Stheve Lopes também chamava Vorcaro de "irmão". Segundo as mensagens obtidas pela Polícia Federal, os dois mantiveram conversas entre 2023 e 2025.
Em boa parte dos diálogos, Lopes enviava fotos de mulheres para que Vorcaro avaliasse. Em uma das mensagens, o ex-modelo escreveu "Fala Irmão qualquer operação precisar levar umas gata avisa, que organizo tô meio parado esses tempo. Vida monótona de pai. Mas precisando de trabalho".
As conversas indicam que Lopes ajudava Vorcaro a reunir modelos para festas promovidas pelo dono do Banco Master para autoridades.
As mensagens encontradas pela Polícia Federal nos celulares de Cláudio Castro e Daniel Vorcaro mostram uma relação marcada por elogios pessoais, convites para encontros privados, tratamento informal e participação em eventos exclusivos no Brasil e nos Estados Unidos.




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