Eleito 1º vice-presidente da Diretoria Nacional, o executivo da Yduqs reúne experiência em marketing, vendas, tecnologia e dados
O marketing mudou de lugar dentro das empresas. E a escolha de Eduardo Guedes como 1º vice-presidente da Diretoria Nacional da Associação Brasileira de Anunciantes (ABA) ajuda a ilustrar essa transformação.
Em um cenário no qual marketing já não pode operar isolado de vendas, tecnologia, dados, produto e experiência do consumidor, a entidade coloca em uma posição estratégica um executivo cuja trajetória combina justamente essas áreas.
Guedes assume a função na gestão 2026-2029, presidida por Nelcina Tropardi, vice-presidente de Jurídico, ESG e Assuntos Corporativos do Carrefour Brasil. O movimento representa continuidade — ele já integrou a Diretoria Nacional entre 2022 e 2024 e foi eleito neste ano para o Conselho Superior da ABA —, mas também reforça uma agenda que olha para o futuro.
E o futuro, para o marketing, está cada vez menos compartimentado.
A trajetória recente de Guedes ajuda a entender a escolha.
Em agosto, o executivo assumiu a vice-presidência de Marketing e Vendas da Yduqs, depois de atuar no CNA Idiomas à frente de Marketing, Vendas, Tecnologia, Produtos e Experiência do Cliente.
Essa combinação é reveladora.
Durante anos, a discussão sobre marketing esteve muito concentrada em comunicação, campanhas, mídia e construção de marca. Esses pilares continuam importantes, mas já não dão conta da complexidade do cargo.
O profissional de marketing contemporâneo precisa compreender aquisição, retenção, tecnologia, dados, experiência, produto e, principalmente, impacto no negócio.
Não basta perguntar se uma campanha foi eficiente. É preciso entender se ela ajudou a empresa a crescer, fidelizar clientes, construir reputação ou criar novas oportunidades.
A própria Plataforma ABA 2030 deixa isso evidente ao colocar no centro temas como inteligência artificial, dados e privacidade, evolução da mídia, mensuração, inovação responsável e reputação.
São assuntos que não pertencem exclusivamente ao departamento de marketing.
Essa talvez seja uma das principais mudanças na agenda dos anunciantes: os grandes desafios da comunicação passaram a depender de decisões que atravessam toda a organização.
A inteligência artificial, por exemplo, não muda apenas a produção de conteúdo. Ela altera processos, produtividade, criação, atendimento, análise de dados e modelos de negócio.
A privacidade não é somente uma questão jurídica. Afeta relacionamento com consumidores, mídia, CRM e estratégias de personalização.
A mensuração também deixou de ser um debate restrito à performance. Em um ambiente de pressão por eficiência, marcas precisam justificar investimentos e demonstrar valor para o negócio.
É essa interseção que torna a atuação institucional da ABA cada vez mais relevante.
Outro ponto importante no movimento é o reconhecimento internacional de Guedes. Em 2025, o executivo foi escolhido entre os 10 CMOs mais influentes do mundo pelo Cannes Lions.
Mas talvez o aspecto mais interessante de sua nova função esteja menos no currículo individual e mais na possibilidade de transformar experiência em construção coletiva.
Ao assumir a 1ª Vice-Presidência, Guedes fala em conectar conhecimento, diferentes perspectivas e interesses do mercado. É uma visão particularmente adequada para uma entidade que representa anunciantes de setores distintos e precisa construir consensos em torno de temas que afetam todo o ecossistema.




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