Em 8 de novembro de 1853, um menino nascido um mês antes foi batizado em Campos dos Goytacazes como “exposto”, filho de pais ignorados. Tinha pai e mãe: o vigário da paróquia e uma adolescente, Justina, escravizada ou recém-liberta, conforme a fonte. Só mais …
Em 8 de novembro de 1853, um menino nascido um mês antes foi batizado em Campos dos Goytacazes como “exposto”, filho de pais ignorados. Tinha pai e mãe: o vigário da paróquia e uma adolescente, Justina, escravizada ou recém-liberta, conforme a fonte. Só mais tarde uma nota à margem do livro deu-lhe o nome da mãe. O nome do pai nunca entrou. Esse menino era José do Patrocínio, e o assento de batismo dele é o primeiro documento de uma prática que o Brasil não abandonou: registrar no papel uma relação diferente da que se vive.
Trinta e cinco anos depois, dois meses e meio depois da Lei Áurea, Patrocínio escreveu no Cidade do Rio que a abolição estava “declarada de direito”, mas ainda não “realizada de fato”. Quando escrevi o artigo que aqui resumo, parti dessa distinção, que continua sendo a mais útil para entender o que a Justiça do Trabalho faz todos os dias no Rio de Janeiro.




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