Segundo turno atraiu 3 milhões de pessoas que não votaram na primeira etapa; total de ausentes foi de 30,4 milhões

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25.out.2026 às 21h12 Atualizado: 25.out.2026 às 23h08

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Italo Nogueira Vitor Antonio

Rio de Janeiro e São Paulo

As taxas de abstenção e de votos inválidos no segundo turno das eleições presidenciais neste domingo (25) sofreram uma queda recorde em relação ao primeiro turno e atingiram os níveis mais baixos em 20 anos.

O segundo turno atraiu 3 milhões de pessoas que não votaram na primeira etapa. O número total de abstenção neste domingo foi de 30,4 milhões.

Mais de 128,1 milhões de brasileiros votaram neste domingo, que consagrou a quarta vitória do presidente Lula (PT) ao Planalto, reeleito com 51,78% dos votos contra 48,22% do senador Flávio Bolsonaro (PL), a primeira virada da história.

Com 99,99% das urnas apuradas, a abstenção neste segundo turno foi de 19,22%, quase 2 pontos (1,86) percentuais dos 21,08% no primeiro turno, a maior da série histórica. O percentual é o mais baixo para o segundo turno desde 2006.

Os votos nulos e brancos, desconsiderados no resultado final, atingiram 3,24%, o menor já registrado nos dois turnos das eleições presidenciais neste século. No primeiro turno, representaram 4,77%.

O segundo turno desta eleição ficou marcado pela falha na oferta de transporte público para eleitores. O setor de inteligência do Ministério da Justiça identificou problemas em municípios da Bahia, São Paulo, Piauí, Sergipe, Pará, Alagoas e Rio de Janeiro. Em Salvador, a Justiça eleitoral determinou a prisão do secretário de Mobilidade, Pablo Souza.

A restrição à circulação dos eleitores levou ao pedido do PT para ampliar o horário de encerramento da votação de 17h para 19h. O PL também solicitou a mesma medida nos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, em razão das chuvas intensas nesses locais.

O ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), e, posteriormente, o ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) acataram os pedidos, ampliando o prazo de votação em todo o país até as 19h. Contudo, as decisões foram expedidas muito perto das 17h e diversas seções já haviam fechado as urnas eletrônicas, inviabilizando a inclusão de novos votos.

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A dificuldade gerada para o eleitor gerou tensão campanha petista, que neste segundo turno se mobilizou para tentar reduzir a abstenção no eleitorado. Para estimular a presença de idosos, grupo no qual o presidente reeleito Lula tinha melhor resultado nas pesquisas de intenção de voto, o governo reforçou a divulgação da informação de que a ida à votação serve como prova de vida para aposentados e pensionistas do INSS.

No primeiro turno, a abstenção já havia caído entre jovens até 18 anos, idosos, e pessoas menos instruídas em comparação a 2022. O perfil dos ausentes só é divulgado pelo TSE dias após o pleito.

Apesar dos problemas com ônibus em Salvador, dois estados do Noreste registraram a maior queda de abstenção. A Bahia lidera, com recuo de 3,26 pontos percentuais (de 19,97% para 16,71%). O segundo foi Pernambuco, com uma redução de 2,99 pontos percentuais (de 18,17% para 15,18%). O petista venceu nos dois estados com larga vantagem (71,31% e 69,2% dos votos válidos, respectivamente).

São Paulo foi o terceiro estado em que a abstenção mais caiu: 2,73 pontos percentuais, de 22,54% para 19,81%. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) venceu no estado com 53,85% dos votos válidos.