Vitalino Canas defende que os "aspetos estruturais" do tratado superam os conjunturais. Portugal pode ser plataforma do Brasil no acordo, acrescenta.

O presidente da associação Fórum de Integração Brasil Europa (FIBE), Vitalino Canas, afirmou à Lusa que uma possível vitória de Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais brasileiras não coloca em causa o acordo entre a União Europeia e o Mercosul.

Na opinião do ex-deputado e ex-secretário de Estado, o gigante sul-americano tem de criar oportunidades noutros mercados para onde escoar os seus produtos, numa altura de imposições de tarifas por parte dos Estados Unidos, que afetam principalmente os produtos agroalimentares brasileiros.

Para Vitalino Canas, o acordo UE-Mercosul ganha ainda maior relevância num contexto internacional marcado pelo protecionismo e pela política comercial dos Estados Unidos, constituindo uma resposta que ultrapassa a dimensão económica.

O encontro incluirá painéis dedicados à importância geoestratégica do acordo e à nova ordem geopolítica mundial, à integração dos sistemas jurídicos, ao impacto económico, à agricultura, às terras raras e energia, à mobilidade e aos corredores de integração, ao papel dos parlamentos na implementação do acordo e ao setor financeiro e aos investimentos.

O acordo de comércio livre entre a UE e o Mercosul entrou provisoriamente em vigor em 01 de maio, na sequência de uma decisão adotada pela Comissão Europeia e depois dos parlamentos dos quatro membros fundadores do bloco sul-americano (Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai) terem ratificado o tratado.

A entrada em vigor plena dependerá da ratificação pelo Parlamento Europeu, que aguarda um parecer do Tribunal de Justiça da UE sobre a compatibilidade do acordo com os tratados comunitários.

O acordo continua a enfrentar resistências em países como a França e a Polónia, grandes produtores agroindustriais, um setor em que os membros do Mercosul são altamente competitivos a nível mundial.

Do lado português, Vitalino Canas apontou também oportunidades para setores tradicionais das exportações nacionais, como o vinho e o azeite, que atualmente enfrentam dificuldades de entrada no mercado brasileiro devido à tributação.