Advocacia-Geral da União protocolou recurso apontando que decisão monocrática de André Mendonça violou prerrogativa privativa do presidente da República p...

Por Redação, g1 — Brasília

08/09/2026 18h58 Atualizado 08/09/2026

A AGU pediu nesta terça-feira (8) ao presidente do STF, Edson Fachin, a suspensão do afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

O órgão argumenta que o afastamento cautelar viola a prerrogativa constitucional do presidente da República de nomear e exonerar o chefe da corporação.

O ministro André Mendonça determinou o afastamento após acusações de monitoramento ilegal contra ele e contra o advogado-geral da União, Jorge Messias.

O julgamento na Segunda Turma formou maioria de 3 a 0 para manter a decisão de Mendonça, mas foi suspenso por pedido de vista de Gilmar Mendes.

Diretores da Polícia Federal manifestaram apoio a Andrei Rodrigues e colocaram seus cargos à disposição do diretor-geral substituto, William Marcel Murad.

AGU pede suspensão da decisão que afastou diretor-geral da Polícia Federal

A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu nesta terça-feira (8) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, para contestar a decisão monocrática do ministro André Mendonça que determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Na peça, assinada pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, a AGU sustenta que há "grave lesão à ordem pública e administrativa".

O órgão argumenta que o afastamento cautelar viola frontalmente a prerrogativa constitucional privativa do Presidente da República para prover e desprover cargos de direção da Polícia Federal.

Em nota, a AGU ressalta ainda que "a descontinuidade abrupta na gestão do órgão compromete o funcionamento das atividades de polícia judiciária e gera risco de desorganização institucional".

De acordo com a petição da AGU, a escolha, nomeação e livre exoneração do diretor-geral da Polícia Federal são prerrogativas exclusivas do chefe do Poder Executivo federal.

"Diante do quadro de urgência, a AGU requereu a concessão de liminar para suspender imediatamente o afastamento dos dirigentes e a subsequente confirmação do pedido no mérito até manifestação definitiva do órgão competente", diz nota.

A única exigência legal para o provimento do cargo de diretor-geral da PF é que ele seja ocupado por um integrante de classe especial da carreira de Delegado de Polícia Federal.

Prédio da Advocacia-Geral da União — Foto: TV Globo

Clima de tensão no STF

O recurso da AGU chega em meio a um cenário de extrema polarização dentro do próprio Supremo. O afastamento de Andrei Rodrigues e do diretor de inteligência, Leandro Almada da Costa, foi determinado por André Mendonça sob acusação de monitoramento ilegal do próprio ministro relator e do advogado-geral da União, Jorge Messias, por meio de relatórios de inteligência apócrifos.

Na Segunda Turma da Corte, o julgamento extraordinário virtual para referendar o afastamento formou maioria de 3 votos a 0 com as manifestações de Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques.

No entanto, a sessão eletrônica acabou suspensa por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. Enquanto o colegiado não retoma as deliberações em definitivo, a decisão individual de Mendonça continua em vigor, mantendo Rodrigues afastado.