Mercado Livre em farmácias pressiona RADL3 e PGMN3, mas bancos veem impacto limitado e apontam o principal ponto de atenção para ganhar nesse mercado

Mercado Livre em farmácias pressiona RADL3 e PGMN3, mas bancos veem impacto limitado e apontam o principal ponto de atenção para ganhar nesse mercado

Mercado Livre e Ozempic - Imagem: Divulgação Mercado Livre e Novo Nordisk

O Mercado Livre esquentou a briga no mercado das farmácias. Com o anúncio de que a plataforma passará a vender medicamentos sob prescrição e até canetas emagrecedoras, os investidores das tradicionais redes de farmácias ficaram preocupados. 

Logo após o anúncio de ontem (24), as ações das redes RD Saúde (RADL3) e Pague Menos (PGMN3) tiveram perdas 5,38% e de 8% ontem, respectivamente. 

No entanto, segundo grandes bancos, ainda há uma grande dúvida em aberto a respeito da capacidade do Mercado Livre de concorrer de igual para igual com essas grandes redes. E o preço dos medicamentos não é o único fator para o sucesso nesse mercado.  

Inicialmente, o foco é a cidade de São Paulo, que responde por 8% de todas as receitas do segmento de farmácias do país, segundo o Itaú BBA, com entregas a partir de uma farmácia própria. 

A plataforma também prevê a entrada de farmácias parceiras no modelo de marketplace, chamado de 3P. A ideia é começar com três parcerias e chegar a 20 redes cadastradas até o final do ano. 

O Mercado Livre não é o primeiro a avançar nesse segmento. A Anvisa revogou restrições anteriores que afetavam as plataformas como o Meli, iFood e Rappi e até o Magazine Luiza.

Medicamentos, incluindo os análogos de GLP-1, já estão disponíveis em plataformas como o iFood por meio de farmácias licenciadas, por exemplo. 

"Portanto, vemos o Meli como mais um canal digital relevante sendo adicionado ao mercado, em vez da criação de um modelo de distribuição totalmente novo", diz o JP Morgan. 

Por isso, o banco acredita que o impacto deve ser limitado para as receitas das grandes redes de farmácias listadas na bolsa, embora essas preocupações possam demorar alguns trimestres para se dissiparem.

Essa é mais uma continuação da estratégia agressiva do Mercado Livre no segmento do farmácias, diz o BTG Pactual, que começou com a aquisição de uma pequena drogaria no Jabaquara, em São Paulo, no ano passado.  

"Como discutimos em relatórios anteriores, vemos a entrada do MELI como mais uma fonte de pressão competitiva para o e-commerce farmacêutico, mas não necessariamente como uma grande disrupção para as grandes redes", declara o BTG Pactual. 

O segmento de farmácias historicamente tem margens e tíquete médio baixos, o que reduz o escopo para uma guerra de preços pelo mercado. 

Mesmo no caso dos remédios para emagrecer, ganhar mercado não será assim tão simples. A febre dos medicamentos à base de semaglutida vem afetando de supermercados a companhias aéreas — até o presidente Lula quer incluir as canetas emagrecedoras no SUS. 

Seu impacto para as redes de farmácias já foi assunto de diversos relatórios, mas o banco acredita que essa competição não é assim tão simples. 

"Os GLP-1 não são uma categoria simples para disrupção de preço. A maior parte dos fabricantes operam por meio de programas de benefícios com os pacientes, que estabelecem preços e descontos que as farmácias repassam aos consumidores", afirma o JP Morgan.  

Assim, é difícil que uma única rede consiga aplicar descontos em escala para afetar profundamente as receitas das concorrentes, que é um dos receios dos investidores em farmácias, diz o relatório.  

Esses descontos e cupons, inclusive, são regulados pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). 

Inclusive, o Mercado Livre tem preços cerca de 5% acima dos concorrentes em medicamentos de uso contínuo e 6% em isentos de prescrição, segundo uma pesquisa do JP Morgan com 2 mil itens diferentes. 

Preço, embora um fato importante, não é o único determinante de sucesso nesse segmento. Para ganhar nesse setor, é preciso ter um tráfego qualificado de clientes, um sortimento amplo de produtos e um bom nível de serviço, o que inclui tempo de entrega, diz o BTG.