Ritmo de transformação do Brasil é tímido demais, mesmo com políticas públicas de ação afirmativa

Jornalista especializada em comunicação pública e vice-presidente de gestão e parcerias da Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública)

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21.jun.2026 às 12h00

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"No dia 14 de maio, eu saí por aí/ Não tinha trabalho, nem casa, nem pra onde ir/ Levando a senzala na alma, subi a favela/ Pensando em um dia descer, mas eu nunca desci."

As estrofes iniciais da canção "14 de Maio", de Lazzo Matumbi, descrevem o pós-abolição e ilustram a construção dos alicerces de um dos países mais desiguais do planeta —o nosso.

Assim como a concentração de renda e de patrimônio no Brasil é branca, a pobreza também tem cor: é negra. Essa realidade é fruto da escolha política de um Estado-nação que optou pelo extermínio de povos nativos, substituição da mão de obra escravizada por imigrantes europeus e adoção de um modelo institucional de gestão que exclui e marginaliza negros.

O agronegócio brasileiro é um bom exemplo. Embora a maioria dos trabalhadores do campo seja negra, as grandes propriedades rurais pertencem aos brancos. Isso é fruto da Lei de Terras (1850), que impediu o acesso dos ex-escravizados à propriedade de terras no pós-escravidão.

Sim, a realidade nacional está mudando em razão de políticas públicas de ação afirmativa adotadas no fim do século 20 —após muita peleia dos movimentos sociais negros. Mas o ritmo dessa transformação é tímido demais frente ao tamanho dos problemas criados pelo racismo.

Militante histórico dos movimentos sociais negros, o professor e ativista Helio Santos está entre os que entendem que, apesar do êxito já conquistado, nossas políticas afirmativas ainda são insuficientes e precisam ser elevadas a outro patamar. Nesta terça-feira (23), ele lança o livro "14 de Maio – Lições de Resistência ao Racismo" (às 19h, no Itaú Cultural, na avenida Paulista, em São Paulo-SP).

Na obra, propõe a equidade racial como política central para o Brasil. "Precisamos radicalizar na democracia, o que implica reduzir drasticamente as desigualdades raciais, que são o principal obstáculo para o desenvolvimento nacional com sustentabilidade moral."

Concordo plenamente com ele. E você?

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