Anúncio mergulha o Oriente Médio ainda mais na guerra, já que os houthis, aliados do Irã, obtiveram uma série de vitórias no campo de batalha no Iêmen desde que o conflito foi reacendido
O governo do Iêmen, apoiado pela Arábia Saudita, anunciou no domingo uma grande campanha militar contra a milícia houthi, um importante aliado do Irã, mergulhando o Oriente Médio ainda mais profundamente na guerra.
Em um discurso televisionado, Rashad al-Alimi, líder do governo internacionalmente reconhecido e apoiado pela Arábia Saudita, afirmou que o país buscava recuperar todo o território que havia perdido para os houthis nos últimos 12 anos.
O governo e os houthis têm travado batalhas ferozes nas últimas semanas, depois que a milícia aliada ao Irã assumiu o controle da costa do Mar Vermelho do país, aumentando a pressão sobre as rotas marítimas e os mercados de energia, já abalados pela guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.
Os houthis e a Arábia Saudita, que apoia o governo iemenita financeira e militarmente, também têm atacado uns aos outros diretamente.
O anúncio de al-Alimi pareceu eliminar qualquer esperança de que se chegasse a um acordo de trégua. Em seu discurso, ele afirmou que as operações militares do governo continuariam “até que o país seja libertado”.
Os houthis também afirmam que estão lutando para libertar o Iêmen e classificaram os combatentes do governo como mercenários sauditas. Yahya Saree, porta-voz militar dos houthis, afirmou em comunicado no domingo, 4, que os combatentes do grupo “não deixarão de realizar novas operações dolorosas contra o inimigo saudita”.
Os dois lados vêm travando batalhas desde 2014, quando os houthis tomaram a capital iemenita, Sanaa, forçando a saída do governo. A Arábia Saudita liderou uma campanha de bombardeios para tentar restaurar o governo, contribuindo para a morte de centenas de milhares de pessoas vítimas de violência, fome e doenças. Os houthis acabaram criando um Estado de fato no norte do Iêmen.
Uma trégua em 2022 trouxe uma paz frágil. Mas o conflito reacendeu este ano, depois que os EUA e Israel atacaram o Irã em fevereiro.
O governo saudita não reconheceu publicamente qualquer papel na nova ofensiva anunciada por al-Alimi e não respondeu a um pedido de comentário.
Os houthis acusaram a Arábia Saudita de lançar centenas de ataques aéreos em seu território nas últimas semanas, e qualquer grande operação terrestre do governo iemenita provavelmente incluiria os sauditas, segundo analistas.
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“Não podemos deixar de expressar nossa profunda gratidão aos nossos leais irmãos do reino da Arábia Saudita”, disse al-Alimi, acrescentando que o governo saudita “apoiou o Iêmen durante seus momentos mais difíceis”. Grande parte do governo iemenita opera a partir de Riade, a capital saudita.
Não ficou imediatamente claro qual papel os Estados Unidos ou outros aliados da Arábia Saudita poderiam desempenhar na contraofensiva do governo. A Grã-Bretanha anunciou recentemente que forneceria apoio limitado para reabastecimento a aeronaves de guerra sauditas, enquanto autoridades americanas têm fornecido inteligência e apoio na identificação de alvos à Arábia Saudita para combater os houthis nos últimos meses.
O mais recente ciclo de violência começou em julho, depois que os houthis acusaram a Arábia Saudita de bombardear o aeroporto de Sanaa. Os houthis responderam lançando ataques com drones e mísseis balísticos dentro da Arábia Saudita, ao mesmo tempo em que declararam um bloqueio à navegação saudita no Mar Vermelho.
À medida que o conflito se intensificou, o Iêmen foi sendo arrastado cada vez mais profundamente para a guerra mais ampla entre os Estados Unidos e o Irã. Com a navegação pelo Estreito de Ormuz interrompida há meses, a Arábia Saudita passou a depender mais das rotas de exportação de petróleo pelo Mar Vermelho.
No mês passado, os houthis tomaram território próximo ao Estreito de Bab al-Mandeb, um ponto de estrangulamento marítimo crucial.
Nas últimas semanas, a milícia expandiu seu território. No domingo, ela se aproximou de cercar Taiz, uma das maiores cidades do Iêmen.
As forças houthis também capturaram Al-Turbah, uma cidade controlada pelo governo ao sul de Taiz, localizada na estrada principal que liga a cidade a Aden, sede temporária do governo do Iêmen, segundo duas autoridades iemenitas que pediram anonimato para discutir mobilizações militares confidenciais.




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