Retirada ocorreu com uma rapidez incomum, após o que autoridades americanas descreveram como ameaças de um plano orquestrado pelo Irã contra a instalação

Os Estados Unidos se apressaram no fim de semana para retirar todos os 12 bombardeiros B-1 da Força Aérea de uma base aérea no sul da Inglaterra depois que os comandantes receberam novas ameaças sobre um complô apoiado pelo Irã contra a instalação, disseram duas autoridades americanas no domingo, 4.

A retirada foi altamente incomum: tais medidas raramente são tomadas tão rapidamente de uma base aérea aliada em um país em tempo de paz, a milhares de quilômetros de uma zona de combate.

A necessidade de retirar os bombardeiros da base, a RAF Fairford, foi considerada tão urgente que algumas das aeronaves e suas tripulações partiram enquanto aeronaves de reabastecimento aéreo ainda estavam sendo mobilizadas para apoiar seus voos para os Estados Unidos. Pelo menos três das aeronaves haviam pousado em sua base de origem, em Dakota do Sul, até domingo, disseram as autoridades, que falaram sob condição de anonimato para discutir questões operacionais.

O Comando Europeu do Pentágono confirmou no domingo que os bombardeiros haviam deixado a Inglaterra, mas se recusou a comentar sobre quaisquer novos alertas.

“Podemos confirmar agora que todos os bombardeiros dos EUA que estavam destacados na RAF Fairford estão sendo remanejados para suas bases de origem nos Estados Unidos”, afirmou o comando em comunicado. “Os bombardeiros da Força Aérea dos EUA operam rotineiramente em todo o mundo para apoiar a prontidão das forças globais e os requisitos operacionais.”

Autoridades americanas se recusaram, no domingo, a especificar a natureza das novas informações que motivaram a rápida retirada dos bombardeiros da Força Aérea, alguns dos quais haviam chegado na semana passada como parte de uma rotação normal de forças. Uma autoridade americana disse que as novas informações faziam parte dos mesmos alertas de ameaça que surgiram há três semanas, mas que detalhes específicos e um senso de urgência aumentaram nas últimas 24 horas, alarmando os comandantes.

A retirada repentina dos bombardeiros ocorreu uma semana depois que a polícia britânica prendeu cinco homens que estavam viajando na manhã do último domingo, 27, em vans brancas perto da base, que tem sido usada por bombardeiros americanos na guerra dos EUA e de Israel contra o Irã. Os homens foram libertados sob fiança um dia depois, após as autoridades não terem encontrado explosivos nas vans.

Mas a polícia afirmou repetidamente que os homens continuam sob investigação, e um cidadão com dupla nacionalidade britânica e iraniana foi preso na quinta-feira, 1º, sob suspeita de preparar atos terroristas.

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O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirmou na semana passada que o governo britânico acreditava que o Irã teve participação no planejamento desses eventos. Autoridades americanas e britânicas, bem como da Alemanha e de Israel, acreditam que a operação esteja ligada à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã ou a um quartel-general militar separado em Teerã. O Irã negou as acusações.

O episódio apresentou às autoridades inúmeros enigmas enquanto tentam esclarecer os eventos da última semana, incluindo as prisões, a evacuação frenética de 85 residências, um robô de desativação de bombas revistando as vans em busca de explosivos e uma reunião de segurança nacional convocada por Burnham.

Em julho, a Guarda Revolucionária do Irã divulgou um comunicado alertando que permitir que os Estados Unidos usassem a base “torna Londres responsável” pelas ações dos EUA. “Qualquer base usada para lançar ataques contra o território iraniano”, dizia o comunicado, “é um alvo legítimo para nossas forças”.

Em setembro, comandantes militares dos EUA receberam um aviso assustador de agências de inteligência americanas e de outros países ocidentais, segundo autoridades americanas a par das informações. A base da RAF Fairford era alvo de um possível ataque apoiado pelo Irã.

Os contornos obscuros de uma conspiração foram reconstituídos por meio de uma combinação de comunicações interceptadas, informantes e outras informações de inteligência. O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, disse que seus oficiais de inteligência também alertaram seus homólogos britânicos sobre um provável ataque patrocinado pelo Irã, embora não tenham fornecido um alvo específico. Ataques subsequentes provavelmente incluiriam drones, alertaram as avaliações confidenciais.

Após esse alerta inicial no mês passado, a preocupação entre autoridades em toda a Europa aumentou. De acordo com uma alta autoridade dos EUA, Israel alertou a Alemanha de que as bases americanas no país corriam risco elevado, destacando Spangdahlem e Ramstein em particular.

Uma conspiração apoiada pelo Irã para cometer um ataque na Grã-Bretanha representaria uma grande escalada por parte de Teerã contra um país ocidental, em aparente retaliação à guerra liderada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã.

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