A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, rejeitou nesta quinta-feira as acusações de que seu governo demorou a reagir à destruição provocada por dois terremotos que mataram mais de 2.000 pessoas, após dias de críticas generalizadas à resposta ofic…
O número de mortos nos dois terremotos que atingiram a Venezuela na semana passada subiu para 2.645, informou nesta sexta-feira o Ministério da Informação do país. Segundo a pasta, mais de 12 mil pessoas ficaram feridas e cerca de 15 mil ficaram desabrigadas em consequência dos tremores de magnitude 7,2 e 7,5.
Na quinta-feira, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, rejeitou nesta as acusações de que seu governo demorou a reagir à destruição provocada pelo desastre, após dias de críticas generalizadas à resposta oficial.
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Civis de todos os perfis — incluindo sobreviventes, familiares, paramédicos voluntários e equipes estrangeiras de resgate — deslocaram-se para as áreas atingidas pelo desastre, especialmente para o Estado de La Guaira, no norte do país, o mais afetado, desde que os terremotos atingiram a região em 24 de junho.
Muitas das pessoas que escavam os escombros, assim como organizações internacionais de ajuda humanitária, afirmam que a resposta do governo foi lenta e ineficaz, com atraso na entrega de alimentos e suprimentos médicos e falta contínua de maquinário pesado para remover os destroços durante as operações de busca.
"Foi uma tragédia natural em uma escala que jamais imaginamos, embora soubéssemos que um evento sísmico poderia ocorrer em nosso país", disse Rodríguez em sua primeira entrevista coletiva desde que assumiu o poder em janeiro, depois que os Estados Unidos depuseram seu antecessor, Nicolás Maduro. "Não esperamos um, dois ou três dias. Agimos imediatamente."
Segundo ela, 4.000 agentes foram mobilizados de imediato, número que subiu para 14 mil no dia seguinte e alcançou os atuais 19 mil. Rodríguez afirmou ainda que decretou estado de emergência para ativar os protocolos de resposta.
"Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance, e continuaremos fazendo tudo o que estiver ao nosso alcance e mais", disse, acrescentando que visitou crianças hospitalizadas que perderam membros e lamentavam a morte de familiares.
"Passei por experiências muito dolorosas", afirmou Rodríguez.
Resposta liderada por civis
A televisão estatal mostrou regularmente Rodríguez reunida com autoridades militares e de segurança, enquanto soldados e policiais patrulhavam as principais estradas de La Guaira e, em alguns casos, organizavam o trânsito.
Ainda assim, segundo testemunhas da Reuters, a resposta ao desastre tem sido liderada por civis, muitos deles voluntários.
Pessoas passaram dias tentando retirar parentes dos escombros usando as próprias mãos, pás e picaretas, auxiliadas por bombeiros, equipes da Defesa Civil, grupos estrangeiros de resgate, estudantes de medicina e enfermagem, civis que normalmente trabalham como professores e veterinários e, ocasionalmente, algum soldado.
Militares que passaram dias trabalhando ao lado de civis nas seis torres desabadas de um grande conjunto habitacional público em La Guaira disseram à Reuters que se voluntariaram para atuar no local.
Rodríguez afirmou que o número de mortos chegou a 2.595 e que o governo ainda não encerrará as operações de busca e resgate.
Ela não informou quantas pessoas continuam desaparecidas. Uma lista não oficial, mas amplamente utilizada na internet, havia sido reduzida para cerca de 38.500 nomes na noite de quinta-feira, depois de atingir quase 60 mil nos dias imediatamente posteriores aos terremotos.
Um enviado da Organização das Nações Unidas (ONU) informou nesta semana que está adquirindo 10 mil sacos para cadáveres para a Venezuela, enquanto o Serviço Geológico dos Estados Unidos estimou que o número de mortos pode ultrapassar 10 mil.
Rodríguez criticou o que chamou de "laboratórios midiáticos" por criarem uma percepção de caos, dizendo que eles agiam por motivação política.
"A primeira narrativa desenvolvida nesses laboratórios midiáticos foi: 'todo mundo para La Guaira', para criar caos e dificultar as operações de busca e resgate", afirmou, sem dar mais explicações.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial ofereceram ajuda financeira e linhas de crédito para os esforços de reconstrução, disse Rodríguez. Segundo ela, a Venezuela está criando um fundo de reconstrução de 200 milhões de dólares com o FMI, e os recursos serão destinados a empresas contratadas submetidas a auditoria para reconstruir moradias.




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