Nos últimos jogos, torcedores da América Latina apoiaram europeus contra a Alviceleste

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17.jul.2026 às 23h05

Torcer ou não para a Argentina contra a Espanha na final da Copa do Mundo, neste domingo (19)?

Nos últimos dias, argumentos pró e contra a seleção do país vizinho se empilharam nas redes sociais —com a segunda opção ganhando de goleada.

Uma das imagens que viralizaram ao longo do torneio foi a da Argentina isolada em um mapa-múndi. O restante dos países aparece estampado com a bandeira do adversário da vez, fosse Cabo Verde, Egito, Suíça ou até mesmo a também impopular Inglaterra.

"Sabe o quão malvado você precisa ser para conseguir fazer com que as pessoas torçam pela Inglaterra?", perguntou um internauta no X às vésperas do confronto da quarta-feira (15).

"Com a Colômbia eliminada, sobram apenas dois países sul-americanos para os quais torcer", disse outro, com um mapa indicando a Guiana Francesa e as Ilhas Malvinas, dois territórios europeus na região, no momento em que França e Inglaterra ainda estavam no torneio.

As justificativas são variadas. No Brasil, a histórica rivalidade entre as duas potências do futebol faz com que muitos torcedores não queiram ver a Argentina com quatro estrelas na camisa —apenas uma a menos do que a amarelinha. Ganhar duas Copas seguidas também seria um feito que, até hoje, apenas Brasil e Itália conseguiram alcançar.

No restante do mundo, além da rejeição que a equipe campeã atrai, há ainda a ideia de que a seleção de Lionel Messi estaria sendo ajudada pela arbitragem.

A psicóloga Albertina Ímas, 28, atribui a impopularidade do time a essa última razão. "Não é verdade que estamos [argentinos] sendo favorecidos. O que se vê em campo é a essência do time: a garra e a paixão que dedicamos a cada jogo", disse ela, enquanto comemorava a vitória sobre a Inglaterra na avenida Corrientes, em Buenos Aires. "A Argentina é a América do Sul, e acho que deveríamos torcer pela América do Sul."

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Motivações mais profundas incluem o estereótipo do argentino arrogante, que pensa ser um europeu na América Latina, e a forma como a discriminação racial se manifesta no país —um tópico sensível devido aos últimos casos de racismo praticados por turistas do país vizinho no Brasil.

A questão rendeu textos e pronunciamentos de figuras públicas brasileiras.

"Muita gente me criticou por eu torcer pela Argentina e não pela Inglaterra", afirmou o escritor Marcelo Rubens Paiva em seu Instagram. "Eu adoro os argentinos —tirando aqueles racistas chatos, pessoas desagradáveis que existem no mundo todo."

O historiador Douglas Belchior, diretor do Instituto de Referência Negra Peregum, é um dos que vêm citando em suas redes sociais casos de racismo da torcida e dos jogadores argentinos, com destaque para a omissão de Messi.