Regras contra paralisações em excesso reduzem 4,3 minutos de enrolação, mas pausa para hidratação aumenta bola parada
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17.jul.2026 às 23h13
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Daniel Mariani Natália Santos Vitor Antonio
A Copa do Mundo de 2026 reduziu o tempo de cera em campo, mas o ganho não chegou ao torcedor.
A nova pausa para hidratação e a reposição incompleta pela arbitragem do tempo perdido absorveram praticamente toda a economia, e o tempo de bola rolando ficou quase igual ao do Mundial de 2022.
A análise é da Folha e feita a partir de dados da Opta, plataforma de estatística esportiva.
A redução da cera, atraso de tempo proposital dos jogadores para levar vantagem, era uma tentativa da Fifa (Federação Internacional de Futebol) de aumentar o tempo de bola jogada, evitando paralisações em excesso. Outras novas orientações da entidade foram a contagem regressiva na cobrança de laterais e de tiros de meta.
Na prática, as medidas até funcionaram. Em jogos apertados, o time em vantagem por um gol no placar demorou menos para reiniciar o jogo nesta Copa.
A cobrança de tiro de meta na Copa anterior demorava cerca de 22 segundos; nesta, caiu para 12. A de lateral foi de 11 segundos para 6. O tempo para as cobranças de falta foi reduzido de 10 segundos para 7. A reposição do goleiro após defesa com as mãos caiu de 10 segundos para quatro. Apenas o escanteio se manteve estável.
No acumulado final, cada partida da Copa de 2026, que durou, em média, 103 minutos, teve 33,4 minutos com bola parada (sem contar a pausa da hidratação), queda em relação aos 37,7 minutos de 2022. O ganho com a redução da cera foi de 4,3 minutos, o que poderia ter virado futebol, mas não virou.
Isso aconteceu por dois motivos. O primeiro foi a criação da pausa para hidratação. Incluída pela primeira vez nas partidas da Copa do Mundo de Clubes, em 2025, ela tenta proteger os atletas dos efeitos das altas temperaturas no verão no hemisfério norte e é aplicada em todos os jogos, independentemente das condições climáticas do dia ou da modernização dos estádios. Com isso, cada partida perde uma média de 6,2 minutos de jogo efetivo.
A Copa de 2026 trocou, então, quatro minutos de cera economizados por seis minutos de hidratação, o que resultou em um saldo negativo para quem achou que veria mais futebol. O tempo de bola rolando ficou praticamente estável: 63,2 minutos em 2026 ante 63,7 minutos em 2022.
Esse saldo poderia mudar se a reposição de cera fosse feita de forma completa pela arbitragem, seguindo as orientações da Fifa, mas isso não aconteceu. Segundo a análise de dados da Folha, em uma partida com 11 minutos de cera no segundo tempo, o árbitro de 2022 devolvia quase tudo: o tempo que sumiu era de apenas 2,2 minutos, a menor perda entre todas as Copas desde 2014, quando essa diferença chegava a 6,8 minutos.
Em 2026, esse rigor recuou. Para o mesmo patamar de 11 minutos de cera, o tempo que sumiu voltou a subir, para 4,7 minutos, mais que o dobro do registrado quatro anos antes, e próximo dos níveis de 2018.
No fim, mesmo com mais dinâmica em campo e menos cera, a soma da pausa de hidratação com a reposição incompleta do tempo perdido resultou em menos jogo entregue ao torcedor.
A partida entre Canadá e Bósnia, na fase de grupos, foi a que teve menor porcentagem de tempo de bola rolando em relação à duração total da partida, 48%. Foram 48 minutos de jogo efetivo e 52 minutos de bola parada.
Para os canadenses, entretanto, a lembrança será positiva. Os donos da casa arrancaram um empate em 1 a 1 e derrubaram um tabu ao conquistarem o primeiro ponto da história do país em Mundiais.




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