Menos de 10% das parturientes no sistema público de saúde recebem anestesia no parto normal
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17.jul.2026 às 22h00
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Quando necessária, a cesariana pode prevenir a mortalidade materna e neonatal. Até 2015, a Organização Mundial da Saúde indicava que a proporção dessa operação na população deveria ficar entre 10% e 15%. Desde lá, a OMS não preconiza taxas ideais, mas afirma que, quando o indicador ultrapassa 10%, não há evidências de redução da mortalidade.
A entidade diz, ainda, que o aumento no número de cesáreas pode ser prejudicial, já que o procedimento está associado a riscos à saúde da mulher, da criança e a gestações futuras.
Nesse sentido, é preocupante que o Brasil esteja entre os países com as maiores taxas de cesariana do mundo. Em 2023, segundo dados do Ministério da Saúde, 59,6% dos partos foram cesáreas, ante média mundial de cerca de 20%, de acordo com a OMS.
Estudo da Unicef divulgado na segunda-feira (13) mostra que 7 em cada 10 mulheres no Brasil preferem o parto vaginal (normal) no início da gravidez, mas acabam escolhendo a cesária ao final. Entre as causas está o medo da dor, agravado pela falta de garantia de anestesia.
De 2022 a 2025, só 8,6% das parturientes em hospitais públicos receberam anestesia no parto normal, ante 32% na rede particular, segundo relatório da Fiocruz.
Especialistas também apontam que a infraestrutura precária estimula cesáreas. Faltam ambientes hospitalares adequados ao trabalho de parto, que pode chegar a 20 horas, onde mulheres possam acessar métodos não farmacológicos de alívio da dor, como banho quente e deambulação.
Ademais, a formação dos médicos, cada vez mais focada no procedimento cirúrgico, faz com que muitos se sintam inseguros para realizar o parto vaginal.
Em fevereiro, foi protocolado na Câmara dos Deputados um projeto de lei que obriga a oferta de anestesia quando solicitada pela grávida no SUS. Desde 2013, tramita na Casa o PL do parto humanizado, que inclui o direito à anestesia.
Mas redes estaduais de saúde podem buscar, por meio de gestão racional de recursos, garantir métodos medicamentosos e alternativos para conter a dor.
Também é necessário ampliar o acesso à informação sobre parto normal durante o atendimento pré-natal e incrementar a capacitação de médicos e demais profissionais de saúde.
Além dos riscos envolvidos quando não há indicação clínica, cesáreas elevam custos num sistema público de saúde já sob pressão orçamentária estrutural. É preciso, portanto, unir esforços para que as mulheres não tenham medo do parto normal.
editoriais@grupofolha.com.br
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