Com o frio de Castelo de Vide, Hugo Soares aquece a rentrée: garante que só Montenegro veste o fato de governar, enquanto Ventura e Carneiro tremem na fila dos impreparados. Será que a moda pega?

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Este é mais um "E o Vencedor É?" das manhãs 360. Lembro que também nos pode acompanhar com imagem através das nossas redes sociais ou pelo nosso site. Miguel, esta terça-feira estão conosco a Helena Matos, Alexandra Machado e também o Rui Pedro Antunes.

E é pelo Rui Pedro Antunes que vou precisamente começar esta edição de "E o Vencedor É?", porque o Rui Pedro está nesta altura a acompanhar a Universidade de Verão do PSD em Castelo de Vide. Rui Pedro, bom dia. Começou esta Universidade de Verão com Hugo Soares a mostrar mais uma vez que é o polivalente do governo. Joga noutra equipa, mas vai mantendo essa posição tanto de guarda-redes como de ponta de lança.

Sim, deixa-me dizer que esta Universidade de Verão, ao contrário dos últimos anos, e acho que nos últimos 15 anos vim aqui muitas vezes, está mais próxima de uma universidade de inverno por causa do tempo, mas o resto é igual.

E houve mais alunos colocados ou não?

Mas não é demasiado cedo ou não poderá ser demasiado cedo? Porque esta é uma conversa que, por exemplo, vimos Montenegro a ter de responder a primeira vez que se candidatou a primeiro-ministro, foi tema de campanha a preparação ou não de Montenegro. Portanto, não dá a entender que pode estar a surgir demasiado cedo este tipo de discurso?

Não, e é normal, porque, na verdade, Montenegro, quando foi primeiro-ministro, ninguém estava habituado a vê-lo nessa pele. Portanto, há sempre um caminho, e é esse caminho, aliás, que José Luís Carneiro tenta fazer, começando com esse roteiro, com tempos todos. Acho que é assim que está a fazer para tentar ter uma maior notoriedade e tentar trabalhar essa imagem de primeiro-ministro. Mas, na verdade, acho que a estratégia do PSD pode passar por aqui, porque venham as eleições de forma antecipada, provavelmente não este ano, mas no seguinte, isso é uma possibilidade, ou venham no tempo normal, o embate eleitoral vai ser sempre com Luís Montenegro. Portanto, faz sentido centrar o debate nisto, que é: estão os outros dois melhor preparados pra primeiro-ministro do que Luís Montenegro? E por isso é que eu acho que do ponto de vista da estratégia de quem está a recomeçar um ano político, faz sentido Hugo Soares destacar isto. Não sei se cola, mas parece uma boa estratégia. Se quiseres, eu digo que já é um 12 a nota pra talhar.

12 pra Hugo Soares, neste caso?

Muito bem. Alexandra Machado.

Eu, por acaso, comecei pelo fim, pelo Le Figaro, na análise ao discurso.

Isso foi porque o diretor também falou disso.

Pois foi. Não devia ter dito isso agora aqui. Mas olha, já tinha preparado antes do Miguel falar no bom, mau e vilão, mas mais para fazer também esta

Esta analogia: Hugo Soares acusou José Luís Carneiro de estar muito colado a André Ventura e de serem quase a face da mesma moeda. E eu só recordo também que José Luís Carneiro, no final da semana passada, tentou ensaiar este discurso de Hugo Soares de atacar os jornalistas e a comunicação social por nunca noticiarem os sucessos, só os insucessos. Curiosamente, José Luís Carneiro, na sexta-feira, creio que foi quinta ou sexta, em Terras de Bouro, ensaiou o mesmo discurso. Portanto, se calhar, também Hugo Soares, José Luís Carneiro e Luís Montenegro, neste ponto, são a face da mesma moeda.

E podemos estar perante uma situação eleitoral em que os três maiores partidos acham que a culpa disto é da imprensa?

Isso seguramente é sempre da imprensa a culpa disto tudo, o culpado disto tudo. Mas eu também não estou aqui a fazer uma defesa corporativa da imprensa, porque, de facto, há coisas que se passam erradamente ou há notícias que são muito esticadas. Mas é sempre um alvo fácil de apontar para os políticos. Aliás, pra imprensa também os políticos são um alvo fácil de apontar nos comentários. Mas sim, uma coisa é certa, os três líderes já estão a ensaiar. Eu já disse isso algumas vezes. Acho que já está tudo a preparar-se pra uma pré-campanha nos próximos meses, final do ano, início do próximo ano. Acho que já está tudo a preparar-se pra uma pré-campanha e Hugo Soares ensaiou já algum do discurso dessa campanha eleitoral.

Vamos ver como corre esse ensaio. Ainda assim, Alexandra, queres falar sobre o elevador da Glória e sobre recomendações de segurança.

Verdade. Foi há um ano o acidente do elevador da Glória. Na próxima semana, 3 de setembro, faz um ano que aconteceu o acidente. Estamos ainda à espera que o GPIAAF, que é o Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Ferroviários, publicasse o relatório final, que se comprometeu a fazê-lo no prazo de um ano do acidente.

O final vai ser só em março.

Na próxima semana passa um ano do acidente. E o que é que o GPIAAF veio dizer? Que não vai conseguir ter o relatório final dentro desse prazo que tinha sido estipulado e proativamente veio comprometer-se com nova data, que é o primeiro trimestre do próximo ano. Eu fiquei surpreendida com a nota do GPIAAF. Estávamos à espera do relatório final, mas fez bem o GPIAAF explicar porque é que não o fará nos timings que se propôs. E há duas explicações dadas pelo gabinete que está a investigar o acidente a nível técnico, isto é uma investigação técnica que está a ser feita pelo GPIAAF, e explicou que há, por um lado, uma necessidade de articular a investigação do GPIAAF com o Ministério Público, nomeadamente por causa das peritagens, que algumas delas obrigam à destruição de determinados materiais e por isso não podem ser retidas, portanto, tem que haver aqui um alinhamento das duas investigações. E além disso, o GPIAAF também teve de contratar entidades externas especializadas para essas peritagens. O GPIAAF faz ainda um ponto de situação. Há algumas recomendações, há seis recomendações que tinha feito no relatório preliminar relativamente à Carris e ao Instituto de Mobilidade e Transportes, ao IMT, para concluir que a Carris já fez algumas ações internas alinhadas com o objetivo da recomendação. Há muita coisa a correr ainda mal neste processo do Elevador da Glória, nomeadamente as indenizações. Ainda há pouco tempo foi noticiado pela Lusa, acho eu, que só três processos de indenização estavam concluídos. Recordo que morreram 16 pessoas, mais de 20 ficaram feridas e por isso três processos de indenização num total de cerca de 40 é muito pouco. Mas no que respeita às averiguações do GPIAAF, compreende-se o adiamento do relatório final, que agora é prometido para o primeiro trimestre de 2027, mas já agora espera-se que seja mesmo concluído nessa altura, a tempo de sabermos tecnicamente o que é que falhou no elevador da Glória. A minha nota vai, por isso, para o GPIAAF, que emitiu a nota de informação a tempo e que acrescentou o tal ponto de situação das recomendações e vai um 14.

Fica essa nota para o GPIAAF. Vamos agora seguir para a Helena Matos, que queres falar neste caso, Helena, destas investigações ainda por causa do gabinete de André Ventura vandalizado no mês passado e há novos dados sobre este incidente