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Na Rádio Observador. Miguel, começamos este jornal das 15h com o Ministro dos Negócios Estrangeiros. Avisa que é provável que haja portugueses entre as vítimas mortais dos terramotos na Venezuela.

Tendo em conta a dimensão dos estragos e as áreas atingidas, até o momento não há indicação de portugueses na lista de 164 vítimas mortais, balanço provisório. Há, sim, por agora, adianta Paulo Rangel, em entrevista à TVI, cinco portugueses desaparecidos.

Começa-se a identificar concretamente uma família desaparecida em La Guaira. Seriam quatro, mas nós, neste momento, não temos nenhuma confirmação de nada. Há o caso também de uma outra pessoa, de uma portuguesa, aliás, até familiar de pessoas que trabalham nos serviços consulares, que também poderá estar debaixo de escombros. Esta será mais na zona de Caracas, a outra em La Guaira. Temos que estar preparados para números mais severos. Poderemos chegar aos milhares de mortes e, nesse caso, temos que ser realistas, é provável que haja portugueses também.

O alerta de Paulo Rangel. O Ministro dos Negócios Estrangeiros diz também que já há uma equipa com mais de 50 elementos preparada para rumar a território venezuelano.

Portugal está a organizar já um voo, já tem 53 pessoas escaladas, em que também estão seis pessoas do INEM, dois médicos, dois enfermeiros, dois tripulantes de ambulâncias. Temos a Unidade de Emergência e Socorro da GNR, temos pessoas da Proteção Civil, todos estão já em estado de prontidão. Portanto, esta manhã estivemos a tratar disso. Pode demorar algum tempo. A Venezuela estava, disse o meu ministro, a ativar uma crise maior pela Proteção Civil, o que obviamente nos permite, nacionalmente e em termos europeus, responder mais agilmente.

Não há indicação de quando poderá rumar à Venezuela esta equipa de socorristas e de ajuda humanitária.

Um grupo de tripulantes da TAP estava em Caracas na altura dos dois terramotos, o hotel teve de ser evacuado.

Sendo que a tripulação está bem, tal como as restantes equipas da empresa naquele país, uma informação avançada à Rádio Observador por fonte da transportadora aérea. Os tripulantes da TAP estavam num hotel que ficou danificado, foram transferidos para outra unidade hoteleira e encontram-se em segurança. A transportadora aérea está em contacto com as autoridades portuguesas e venezuelanas, mas para já não é possível prever quando é que a tripulação da TAP vai poder regressar a Portugal, tendo em conta os trabalhos de resgate e as condições logísticas que se vivem neste momento na Venezuela. É nosso convidado desta edição das 15h, Hélder Teixeira está com a família, precisamente na Venezuela. Boa tarde, bom dia aí, bem-vindo, obrigado pela disponibilidade. Começava por pedir que nos traçasse um retrato daquilo que se passa aí na Venezuela. Estão a decorrer as operações de resgate e salvamento, isso temos visto na televisão. A população está onde? Na rua, em casa?

Olá, boa tarde lá, bom dia aqui. Por acaso, aqui há muita informação hoje. Ainda agora, a situação foi muito forte, sobretudo na parte do que é La Guaira, o estado La Guaira. Aqui nas zonas de Caracas, há algumas partes, alguns prédios bastante velhos que foram abaixo. Há uma questão de socorristas que já estão lá desde ontem à noite, estão a prestar os serviços e a ajudar as pessoas. Por aqui, eu estava na rua ontem à noite, consegui depois chegar à casa de uns familiares, fiquei em uma casa ao sair do prédio, porque a estrutura tem que ser avaliada, porque sofreu alguns danos nas paredes, mas não sabemos a estrutura tal qual como é que está ainda agora. E preferi, igual que a minha família, os meus pais, que estão cá de férias, as minhas irmãs. Por acaso a minha família está bem, mas tenho registros e informação de muitas pessoas. Por acaso ainda há pouco estava falando com um amigo meu na Espanha, que temos um amigo que a mulher estava aqui na Venezuela, em La Guaira, com os filhos, lograram ser resgatados, ela e os filhos, mas ainda estão à procura da irmã dela, a mãe, o pai. Parece que o pai estava dentro do apartamento. Tem sido bastante forte e tem sido uma situação bastante complicada e grave.

Onde é que estava o Hélder Teixeira e a sua família na altura dos terramotos?

Nós estávamos em Terrazas de La Vila, é uma localidade que está na zona de Petare, hacia a parte oeste da zona de Caracas. Nós estamos relativamente perto do que é Altamira, pelos grandes, onde também aconteceram alguns prédios abaixo.

Estavam dentro de casa?

Estávamos, sim, senhor. Eu por acaso não sei porque estamos, o aplicativo do Google começou a dar um alerta e começou a apitar, mas foi um apito mesmo de emergência. E então naquele momento eu fiquei consternado, porque não sabia o que estava a acontecer e digo: "Envolva a outra", minha mulher estava, a minha mãe em casa Estava de visita na minha casa e então começa a dar o alerta e eu digo: "Olha, um alerta no telefone que vai tremer, que vai haver um sismo". Então a minha mulher, nesse momento, começa a dizer: "Vamos correr todos que vai tremer". E começamos a sair da casa e aquilo começou a abanar tudo. Já dirigindo-nos às escadas do prédio, começou aquilo a tremer com bastante força. Eu tenho um menino de cinco meses, eu ia com o meu menino ao colo e, graças a Deus, todos os que estavam em casa e o pessoal do prédio, havia muitas pessoas maiores que depois de passar o terremoto conseguiram descer, porque obviamente naquele momento é difícil e há pessoas com dificuldades para caminhar. Depois do episódio, é que eles conseguiram descer, mas graças a Deus, num instante havia mais de 20 pessoas na rua, pelo menos na zona onde eu moro.

E houve casas que ruíram aí nessa zona onde mora?

Tiveram, por acaso, um prédio à frente de nós, mas é só aquela parte de paredes. Aquelas rachas que fazem nas paredes, mas a estrutura como tal dos prédios se vê relativamente bem. Não houve casos maiores na zona onde eu moro, mas sim, sei de alguns sítios. Só não tenho conhecimento ainda daquela parte onde foi o episódio como tal, mas parece que naquela zona sim, foi bastante forte. Há muitas partes no interior do país que estão se a ver bastante afetadas.

Não há muitas informações sobre a forma como estes terremotos atingiram a comunidade portuguesa. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, dava conta há pouco de cinco portugueses desaparecidos. Há preocupação entre a comunidade, tem indicação de que há mais portugueses que nesta altura estão incontactáveis, que ainda não foi possível contactar?

Sim. Nós por acaso no nosso centro português temos um grupo ou vários grupos e sempre temos estado desde ontem à noite em contacto a todos para ver como é que é, como é que está. Lembre-se também que ontem era dia de folga, era um dia festivo aqui, o dia de São João, e havia muitas pessoas que foram passar o dia lá em La Guaira. Portanto, temos informação, ainda ontem havia informação dos rapazes que não apareciam, mas depois já conseguiram contactá-los, eles já vinham de volta para Caracas, mas como eles têm alguns outros que ainda não têm sido localizados, há alguns portugueses que ainda moram lá ou moravam lá na Guaira e parece que ainda alguns que estão desaparecidos, alguns que lamentavelmente não tenho informação como tal disso, mas aparentemente há alguns falecidos da nossa comunidade, mas aquilo está por ser comprovado ainda.

Seguramente motivo de preocupação. Têm acesso a comida, os supermercados estão abertos, há essa dificuldade ou não?

Por acaso na nossa zona e há uma cadeia de farmácias aqui na Venezuela, eles nunca pararam de trabalhar, eles trabalham 24 horas, os supermercados estão abertos. Há algumas zonas que está tudo relativamente bem, por zonas de estruturas, os prédios e coisas não sofreram maiores danos e o pessoal está saindo, mas há muitas pessoas a sair, a comprar, a se abastecerem com comida, águas e tudo. E também há muitas pessoas que estão a sair à rua para comprar insumos, águas e tudo para colaborarem com aquelas comunidades que foram muito afetadas.