Autoridade monetária elevou a taxa em 0,25 ponto base, a 2,5%, conforme esperado pelo mercado
Compartilhar matériaO BCE (Banco Central Europeu) elevou as taxas de juros pela segunda vez neste ano, em uma medida amplamente sinalizada na quinta-feira (10), na esperança de conter uma alta da inflação impulsionada inteiramente pelos custos mais elevados de energia decorrentes da guerra contra o Irã.
A autoridade monetária elevou a taxa em 0,25 ponto base, a 2,5%, conforme esperado pelo mercado. O patamar passa a valer a partir de 16 de setembro.
A disparada dos preços do petróleo e do gás natural elevou a inflação para bem acima de 3% na zona do euro (composta por 21 países) no mês passado, superando em muito a meta de 2% do BCE.
Além disso, uma recente escalada do conflito aponta para novas pressões sobre os preços que poderiam, eventualmente, repercutir na definição dos salários.
"As perspectivas permanecem altamente incertas, com riscos de alta para a inflação e de baixa para o crescimento econômico", afirmou o BCE em comunicado após reunião em Berlim, mantendo sua longa tradição de realizar uma reunião de política monetária por ano em uma cidade diferente da zona do euro.
O BCE também elevou sua projeção de crescimento econômico para 2026, passando de 0,8% (estimado em junho) para 0,9%, e agora prevê uma inflação média de 3,0% neste ano e de 2,5% em 2027.
O aumento desta quinta-feira eleva a taxa de depósito de referência do BCE para 2,5%, o limite superior da faixa "neutra" considerada pelas autoridades monetárias como um nível que não restringe nem estimula o crescimento econômico.
Embora investidores financeiros apostem em novos aumentos ainda este ano e em 2027, é provável que o BCE adote uma postura cautelosa em relação a qualquer medida subsequente, dadas as perspectivas mistas.
Os elevados custos de energia sugerem uma inflação persistente, e dissiparam-se as esperanças de um fim rápido para a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, iniciada no final de fevereiro.
Os preços elevados do gás natural também são uma preocupação crescente, com os níveis de armazenamento abaixo das médias históricas à medida que se aproxima a temporada de aquecimento do inverno.
Por outro lado, o crescimento econômico tem se mantido muito mais resiliente do que se temia, indicando uma força que também poderia exercer pressão de alta sobre os preços.
No entanto, os custos elevados de energia ainda não se refletiram nos preços de outros bens e serviços, contrariando os receios de que efeitos de segunda ordem seriam rapidamente observados.
A inflação subjacente, que exclui os preços voláteis de alimentos e combustíveis, até desacelerou no mês passado devido à moderação da inflação de serviços, ao passo que o crescimento dos salários — um indicador crucial para avaliar as pressões sobre os preços — continua perdendo força.
Os rendimentos dos títulos também registraram forte alta, refletindo principalmente movimentos semelhantes nos títulos do Tesouro dos EUA, o que aperta as condições de financiamento e acaba realizando parte do trabalho do banco central.
Esses fatores sugerem que, mesmo que as pressões sobre os preços persistam, elas são muito inferiores às observadas em 2022, quando a inflação ultrapassou a marca de 10% em meio à disparada dos preços de energia após a invasão da Ucrânia pela Rússia.
As atenções agora se voltam para a coletiva de imprensa da presidente do BCE, Christine Lagarde, ainda nesta manhã.




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