Com apenas 10 pregões antes da eleição, juros nos EUA, fluxo estrangeiro, petróleo, inflação, fiscal e pesquisas entram no radar do investidor The post Bolsa até o 1º turno: 6 gatilhos que podem mexer com o mercado appeared first on InfoMoney.

Com o pregão desta sexta-feira (18) caminhando para o fechamento, começa uma contagem regressiva curta para a Bolsa brasileira. Depois de hoje, restarão 10 pregões até 2 de outubro, última sessão antes do primeiro turno das eleições, marcado para domingo, 4 de outubro.

A Super Quarta ficou para trás, mas deixou uma nova configuração para o mercado: juros americanos mais altos, Selic em queda e um diferencial menor entre Brasil e Estados Unidos. É a partir desse ponto que os próximos pregões passam a ser lidos, sobretudo pelos efeitos sobre a curva de juros, o câmbio e o apetite do investidor estrangeiro.

Até as urnas, a agenda combina dados de inflação e emprego, números fiscais, petróleo, fluxo estrangeiro e novas pesquisas eleitorais. Mais do que cada evento isolado, o mercado deve reagir ao quanto essas informações alterarem as expectativas para juros, risco e cenário eleitoral nessa reta final.

Para as ações, os efeitos também podem variar. Blue chips, bancos e empresas ligadas ao consumo respondem de maneiras diferentes à economia doméstica, às commodities, ao dólar e à curva de juros.

Ibovespa fecha semana perto de suporte, Vale cai 6,2% e Petrobras recua 1,1%; gráficos mostram os preços que entram no radar

Veja os principais pontos que o investidor deve acompanhar até o primeiro turno:

A decisão do Fed ficou para trás. Agora, a atenção se volta aos dados capazes de reforçar ou reduzir a expectativa de novos aumentos dos juros americanos.

Para André Moraes, analista, fundador e CEO da Trade ao Vivo e chairman da BFR Investimentos, esse é um dos principais pontos a acompanhar depois da Super Quarta. Na avaliação dele, o Fed adotou um tom duro ao comunicar a decisão, mantendo no radar a possibilidade de novas altas.

A reta final antes das eleições brasileiras terá dois testes importantes. Em 30 de setembro, os Estados Unidos divulgam a terceira estimativa do PIB do segundo trimestre e os dados de renda e gastos pessoais de agosto, que incluem o índice de preços PCE. No mesmo dia, sai o relatório da ADP sobre o emprego no setor privado.

Dois dias depois, em 2 de outubro, chega o payroll de setembro — justamente no último pregão antes do primeiro turno.

Rafael Perretti, economista e analista da Clear, destaca esses indicadores por sua capacidade de alterar as expectativas para a política monetária americana. Dados mais fortes ou mais fracos podem se refletir nas taxas dos Treasuries, no dólar e no comportamento dos ativos de países emergentes.

A combinação entre as decisões de Fed e Copom também reduziu a diferença entre os juros brasileiros e americanos.

“Esse spread menor entre juros Brasil e Estados Unidos faz com que o gringo sinta menos vontade de vir aqui para o Brasil”, afirma Moraes.

O diferencial de juros é um dos fatores considerados na alocação internacional. Câmbio, preços dos ativos, commodities, resultados das empresas e percepção de risco também entram nessa conta.

Depois da Super Quarta, porém, Moraes passou a acompanhar com mais atenção justamente o comportamento do capital externo. O InfoMoney mostrou recentemente como a combinação entre Selic menor e Fed mais duro pode mudar a conta do investidor estrangeiro.

“Fluxo estrangeiro é uma coisa que eu monitoro a partir de agora”, diz Moraes.

Depois da forte retirada registrada em agosto, o estrangeiro voltou às compras em setembro. Até 16 de setembro, o saldo acumulado no mês era positivo em R$ 6,29 bilhões, enquanto 2026 somava entrada líquida de R$ 24,58 bilhões no mercado secundário da B3.

O dado do dia 16, no entanto, mostrou saída líquida de R$ 964 milhões.

Um pregão isolado não permite identificar uma mudança de tendência. Para Moraes, a sequência dos dados depois da Super Quarta poderá indicar se a redução do diferencial de juros começa a afetar o apetite do investidor externo.

A entrada de capital estrangeiro acompanhou parte da recuperação recente do mercado brasileiro. Depois de agosto terminar com retirada líquida de R$ 18,12 bilhões, o estrangeiro voltou à ponta compradora da Bolsa no início de setembro.